Quinta-feira, 7 de Julho de 2011

Pequena história de algumas freguesias de Braga

PEQUENA HISTÓRIA ALGUMAS FREGUESIAS DE BRAGA O Padre Carvalho da Costa, insere no seu trabalho “Corografia Portuguesa”, editado em 1701, umas notas sobre as freguesias rústicas e coutos que hoje estão integrados na área concelhia de Braga. Pela sua extensão não nos propomos falar de todas as freguesias, escolhemos algumas que tem a sua história mais desenvolvida, merecendo portanto a nossa atenção e dois coutos – Pedralva e Arentim – hoje fazendo parte do concelho bracarense. E assim vamos iniciar a transcrição da citada obra e que na página 162 e seguintes, do Tomo I : “ São João de Nogueira – Abadia da Mitra, que rende trezentos mil reis com a anexa seguinte (São Paio de Arcos) , tem cinquenta vizinhos. Ao pé da serra de Santa Marta está Santa Maria Madalena, em que a cidade tem grande fé : para a chuva, ou Sol, ou outras calamidades a vão buscar em procissão, e se acham socorridos, e no alto da serra há uma capela de Santa Marta, de que toma o nome, com vestígios de grande fortificação, que entendemos foi dos romanos, quando conquistaram Braga. (Nesta estação, há anos chegaram a iniciar-se escavações arqueológicas sob a orientação do Rev. Arlindo Ribeiro da Cunha, tendo-se posto a descoberto parte dos alicerces do que, possivelmente, seria uma Basílica. Por motivos que desconheço, estas ruínas tem estado ao abandono, e alguma parte do espólio foi recolhido no Museu) Santiago de Esporões, Vigairaria do Arcebispo, tem sessenta e cinco vizinhos. Aqui está uma capela de Nossa Senhora da Piedade, que fundou Martim Ribeiro, natural desta freguesia, com dinheiro que trouxe do Brasil : tem um celeiro, que reparte por empréstimo com os lavradores, ou semelhantes pobres, que depois restituem com o avanço, que cada um quer, sem que se lhe limite. São Pedro de Lomar : foi Mosteiro mui antigo da Ordem de São Bento e se acha notícia dele pelos anos de 667. Foi sua fundadora, ou o reedificou Ameana de Selheris, mulher de Dom Arias Carpinteiro, a qual era também Padroeira de Tavoza, e tinha Monges com Abade no ano de 1358. Depois passou a Comenda de Cristo, ficando com dois párocos, ambos da apresentação do Ordinário. Eram duas freguesias distintas, a do Abade que tinha a Igreja, aonde chamam a Capela, que ali está ; teve princípio o unirem-se em um Reitor da Comenda, que entrou na Inquisição, e o Abade por vizinho trouxe os fregueses ouvir missa a ela. O Reitor terá sessenta mil reis de renda com trinta vizinhos, e o Abade tem cento e dez mil reis com sessenta vizinhos, e o Comendador com a anexa de S. Miguel de Guizande terá trezentos mil reis de renda. São Jerónimo de Real, Vigairaria da Câmara Arcebispal, tem trinta e três vizinhos. Fundou-a o Arcebispo Dom Diogo de Sousa, quando deu o Convento de São Frutuoso aos Religiosos da Piedade, que ali era em Paróquia, e para maior quietação dos Frades deixou de o ser. São Martinho de Dume foi fundado à honra de S. Martinho, Bispo de Turon, por El-Rei Teodomiro, e pouco depois a deu a S. Martinho, que chamam de Dume, primeiro Bispo e Capelão Mor da sua casa, que aqui obrou para residência sua um Convento de Monges Bentos, e foi este o primeiro desta Ordem, que se fez Bispado, e ficou sendo assento e Capela dos Bispos Capelains mores, quando Braga era corte dos Reis Suevos. Aqui esteve sepultado muitos anos até que o mudaram para Braga; com a entrada dos mouros ficando esta igreja pouco menos que erma, se passaram os Monges a fazer outra, a que deram o mesmo nome no Bispado de Mondonhedo, levando uma relíquia do Santo, que conservam agora: é Priorado, que apresentam os Arcebispos, rende duzentos mil reis com Nossa Senhora de Parada sua anexa no Couto de Tibães, tem cinquenta vizinhos. Aqui já muita erva bicha, ou Aristoloquia. Santa Maria de Adaúfe, a quem o Livro da Ordem de Cristo chama Dadufe, foi Mosteiro de Frades Bentos, fundado e dotado amplamente pelos anos de 1070 e tantos por D. Nuno Odorise sua mulher Adozinda Viscoy, que se entende ser da família dos Sousas, pelo que se colhe das sepulturas antigas que ali estão. Sagrou a Igreja o Bispo Dom Pedro: nunca foi Mosteiro duples: nele permaneceram mais de 360 anos, até que o Arcebispo Dom Fernando da Guerra em 2 de Agosto de 1452, o reduziu a igreja secular de sua apresentação in solidum, e o primeiro que poz nela foi João de Barros, Clérigo de ordens menores: mas no tempo de E-Rei Dom Manuel se meteu no rol das Comendas, que pediu a Sua Santidade e ele a concedeu; é da Ordem de Cristo, Reitoria do Ordinário, que rende cento e vinte mil reis, e para o Comendador com a anexa do Paço em Regalados, e sabidos importam em três mil e quinhentos cruzados, anda nos Condes de Atouguia : tem esta freguesia cento e trinta vizinhos. Daqui era natural uma mulher chamada Inês, que sendo de noventa e nove anos, tinha vivos cento e nove filhos, netos e bisnetos e conheceu quase quatro centos no discurso de alguns tempos que viveu mais. Couto de Pedralva. Entre os termos de Braga. Guimarães e Lanhoso está este Couto, de que é senhor o Arcebispo : deu-o El-Rei Dom Sancho o Segundo ao Arcebispo Dom Silvestre Godinho, compondo-se com ele sobre os excessos cometidos contra as Igrejas; fez-se a escritura e contrato estando El-Rei em Guimarães no ano de 1238. Serve de coutada dos Primazes com guardas , que a vigiam. Tem Juiz ordinário do Civil e Crime com dois vereadores, e Procurador, eleição trienal do povo, a que preside o Ouvidor de Braga, um Escrivão dos Coutos, que serve em tudo, data do Arcebispo e Meirinho anual feito pela Câmara que serve de porteiro; recolhe pão e vinho, muita caça, gados e laticínios. Consta este Couto de Freguesia e meia e são as seguintes:. São Salvador de Pedralva. Vigairaria anexa a São Pedro Deste, tem oitenta vizinhos Santa Maria de Sobreposta, abadia da Mitra, que rende cento e cinquenta mil reis, tem cinquenta vizinhos, de que trinta são deste Couto e vinte do Julgado da Lagiosa (….). Couto de Arentim. No julgado de Vermuim, termo da vila de Barcelos, tem seu sítio o Couto de Arentim , que tem uma Paroquia da invocação do Salvador, Vigairaria do Arcediagado de Braga, que rende quarenta mil reis, e para o Arcediago cento e dez mil reis: tem sessenta vizinhos com um Capitão. É Couto do Cabido com Juiz ordinário, dois Vereadores e Procurador do Concelho em tudo como o de Cambezes; produz excelentes peras de pendura. Eis, portanto nesta pequena súmula, como Carvalho da Costa, deveria ter visto Portugal, no início do sec. XVIII, o século do ouro, pois relatou e analisou todas as freguesias, cidades, vilas e lugares, o numero de sua população, no seu trabalho de três Tomos, “Corografia Portuguesa”, trabalho insano e de muita valia. Braga, Julho de 2011 LUÍS COSTA
publicado por Varziano às 16:39
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