Sexta-feira, 10 de Setembro de 2010

Varazim

VARAZIM Reguengo de Varazim de Jusão 2º. Corografia - lº Tomo - Cap.IV – pag.296 DA VILA DE RATES “Uma légua para o Sul de Barcelos e sete de Ponte de Lima tem seu assento a vila de Rates, povoação antiga, muy principal, ainda que agora pequena. Foi destruída várias vezes pelos Galegos tendo guerras comnosco. Querem alguns que ali chegassem por mar as embarcações naqueles tempos das frotas Offirinas, ao menos as pequenas, que navegavam por um esteiro, de que se vêem vestígios vinda da Pulha, e que este nome tomou dos navios, que quer dizer em latim Rates. O que fez nomeada no mundo foi o martírio de São Pedro de Rates, primeiro arcebispo de Braga (bispo) e o primeiro que tiveram as Espanhas, e por isso são os desta Sé Primazes de todas. É certo que aqui houve logo muitos cristãos com templo na primitiva Igreja; e assim como nós chamamos aos Hereges Albigenses do nome da terra em que o seu erro teve princípio, chamaram os Gentios Ratinhos aos Católicos desta Província pela morte que, em Rates, se deu a São Pedro Patriarca ou Apóstolo desta Cristandade. Outros querem se derivasse dos fecundos partos das mulheres desta Província, de que tem em tão breves anos povoado quase todas as Províncias do Reino, e muitos lugares em África, Angola, Sofala e outros na Ásia, Índia e América. Governa-se por um Juiz Ordinário, que também o é do Órfãos, dois Vereadores e Procurador do Concelho, feitos por pelouro, eleição trienal do povo, a que preside o Ouvidor de Barcelos, de quem se sujeita. Vem escrever-lhe um Escrivão de Barcelos por distribuição, serve em tudo como na Almotaçaria. Não é terra rica, dá muito pão, porque até os montes o dão bom, pouco vinho, muitos gados e bestas de criação, mel, caça miúda, veações (caça) de raposas e outros bichos pequenos. Tem uma paróquia da invocação de S. Pedro, que já era Igreja Paroquial, quando este Santo vivia, porque nela o mataram os tiranos, e sobre ele a arrasaram. Tornaram logo a levantá-la os devotos, e depositando nela o sagrado corpo, foi muito venerado dos Católicos. Passou a Mosteiro de Monges Bentos, e crê-se ser o primeiro que em Espanha tiveram, de que era Abade o Santo Estêvão, que no ano de 590, reinando Recaredo, se achou no grande Concílio nacional, que dizem ser o terceiro, e no ano de 676, era Abade dele um Monge chamado Pedro. Devia arruinar-se com a invasão dos Mouros; pois o Conde Dom Henrique e a Rainha Dona Teresa levantaram dos fundamentos por estar destruída havia muitos tempos; e dele fizeram doação em Coimbra no mês de Março no ano de 1100, ao Prior do Mosteiro de Santa Maria de Caride de Monges Cluniacenses na Província da Aquitânia, não longe da cidade de Altisiodoro, hoje Auxerre; outros afirmam que vieram de lá Religiosos para ele. Mas a mim me parece que comeriam a renda e lhe apresentavam Cura: porque no ano de 1113, Gonçalo Anes, que devia ser Visitador Geral pelo Metropolitano, deixou uma verba na visita, em que mandava a Jorge da Póvoa, Cura do Mosteiro, que se enterrasse uma caixinha de relíquias, porque abrindo-a, desconfiou de que o eram. A Crónica dos Cónegos Regrantes quer que no ano de 1152, a Rainha Dona Mafalda, mandasse levantar a terra, e meter em túmulo na parede o corpo de São Pedro e lhe pôs Cónegos Regrantes com Prior, que trouxe de Santa Cruz de Coimbra, e lhe fez aquele couto. Tudo poderia ser e com o tempo se extinguiria, se bem que não querem muitos que tais Cónegos o ocupassem nunca. O que é certo e consta do Arquivo da Sé de Braga, é, que em 13 de Agosto de 1315, tinha Religiosos com Prior, os quais negavam a obediência, e não queriam ser visitados pelo Primaz Dom João Martins de Soalhães, fundados em alguns privilégios Apostólicos: mas fazendo o Arcebispo queixa a El-rei Dom Diniz, e achando que os Arcebispos tinham essa posse, o mandou conservar nela, e que suas Justiças o favorecessem contra os Frades. Em um nicho oculto está a Rainha Dona Teresa com um ceptro na mão e não é a Rainha Dona Mafalda, como alguns cuidaram. Depois se fez Priorado secular, entendemos do Padroado Real, que teve João de Sousa, filho de Pedro de Sousa de Ceabra e de sua mulher Maria Pinheiro, que de Clemência Rodrigues houve a Tomé de Sousa, primeiro Governador do Brasil, (que ali se governava por Capitanias) e vedor de El-rei Dom Sebastião, e primeiro Comendador desta Igreja, que entrou a ser Comenda da Ordem de Cristo em tempo del Rei dom Manuel por Bula do Papa Leão décimo, solicitada pelo Cardeal Dom Jorge da Costa. Foi mais filha deste Prior Dona Helena de Távora, mulher do Licenciado Henrique Pereira, e ambos pais do Doutor Pedro de Sousa, Comentário de Paderne de que há nobre descendência na ribeira do Minho e outras partes. Conserva-se em Comenda com Reitor do Ordinário sem ordenado: leva por ele Sanjoaneira, ao todo render-lhe-há cento e quarenta mil reis e para o Comendador trezentos e cinquenta mil reis. Em memória do Priorado, que foi, conserva um Benefício simples, que rende cinquenta mil reis, servindo-o, data do Arcebispo. Tem à roda do adro muitas sepulturas antigas, deviam ser pessoas grandes, que nelas se sepultavam: porque não vinha de perto pedra para elas. Na mesma Igreja estão os Santos Ermitões Félix e seu sobrinho, e esteve São Pedro de Rates, até que o mandou para Braga, o Arcebispo Dom Fr. Baltazar Limpo: só ficaram relíquias suas, que são um dente, parte de ossos e de um dedo em uma custódia de prata com vidraça e outro relicário com mais: são procuradas por muitos devotos, em que obrão infinitos milagres, quotidianamente em mulheres de parto. Tem cento e cinquenta vizinhos, que são os que há na Vila.” Para completar a lista das freguesias que hoje são do aro do concelho da Póvoa de Varzim faltava BALAZAR, com que vou terminar esta resenha que tenho vindo a mencionar e em relação ao ano de 1701. Pertencia então esta freguesia, ao JULGADO DE VERMOIN. O seu orago era Santa Eulália e como tal figura na Corografia como Santa Eulália de Balazar e diz “é Comenda da Ordem de Cristo e Reitoria do Ordinário, que rende ao todo cem mil reis e para o Comendador duzentos e cinquenta mil reis e tem cento e seis vizinhos. Na Aldeia do Casal está a fonte em que São Pedro de Rates estava de joelhos bebendo, quando os tiranos vinham atrás dele de Braga para o matarem e foi Deus servido de que o não vissem, estando patente à vista: dizem que duas covinhas que tem, são dos seus santos joelhos: e vem a esta fonte muitos enfermos de maleitas e sezões, e bebendo dela, voltam livres do achaque. Aqui, na Quinta do Casal é solar deste apelido, que tem por armas em campo de ouro cinco flores de Liz vermelhas sobre a cabeça das pontas dela. Tem dado bons fidalgos e pessoas de grande talento.” E assim, com estes dois maçadores escritos, dei a conhecer alguma coisa da antiga VARAZIM DE JUSÃO, e do que é hoje o concelho da nossa Póvoa, podendo avaliar o grande salto que deu, pelo menos desde 1701, até aos nossos dias. Braga, 9 de Setembro de 2010 LUÍS COSTA
publicado por Varziano às 17:21
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