Terça-feira, 26 de Outubro de 2010

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SANTIAGO DA CIVIDADE PEQUENA RESENHA DESTA FREGUESIA NO SÉCULO XVIII Para evocar um pouco de Santiago da Cividade, ao longo de quase três séculos, vamos recorrer a alguns memorialistas que nos fornecem preciosos testemunhos da história desta freguesia que ocupa o lugar mais antigo desta nobre cidade de Braga. São eles o Padre António Carvalho da Costa, 1701, ano em que editou o lº Tomo da sua “Corografia Portuguesa”; Bernardino da Senna Freitas, do qual Pereira Caldas, no século XIX compilou, em cinco volumes, vastas notas e informações deste autor, Albano Belino, que no final do século XIX, 1900, em “Archeologia Christã”, também se ocupou, entre assuntos, de Santiago da Cividade e Monsenhor J. Augusto Ferreira, 1931, no 2º Tomo dos “Fastos Episcopais da Igreja Primacial de Braga”. Assim, cronologicamente, vamos iniciar pela “Corografia Portuguesa”, do Padre Carvalho da Costa, que a pag. 154, do lº Tomo, 1701, se refere a esta mui antiga freguesia da Bracara Augusta, núcleo ocupado pelos romanos que aqui deixaram inúmeras marcas da sua presença: “Santiago da Cividade, Vigairaria do Cabido, tem trezentos vizinhos; (esta freguesia tem a Igreja de Santiago) dentro desta igreja está Capela das Chagas, que fez Pedro da Gran, último Comendatário de Carvoeiro, e faleceu no ano de 1602, pôs nela uma Relíquia do Santo Lenho com muitas indulgências e Jubileus, que alcançou dos Sumos Pontífices; é hoje administrador desta Capela o Reverendo Padre Fernão Correia de Lacerda, que tem quatro Missas cada semana. Tem esta freguesia em seu Distrito o Colégio de São Paulo, que fundou no ano de 1560, o Arcebispo Dom Frei Bartolomeu dos Mártires, aonde residem quarenta padres da Companhia, os quais ensinam Gramática, Filosofia, Teologia especulativa e Moral. Temos de abrir aqui um parênteses para um esclarecimento. A informação de Carvalho da Costa, não está correcta, há um equivoco e para o desfazer teremos de nos socorrer de Monsenhor Ferreira e à sua obra “Fastos Episcopais”, que no Tomo 2º, pag. 385, indica que os Estudos Públicos, foram instalados nesta cidade, abertos pelo Arcebispo Dom Diogo de Sousa (1505/1532), sob o patrocínio do Apóstolo das Gentes, São Jerónimo, na antiga Capela de São Paulo e edifício anexo, próximo da Igreja de S. Tiago da Cividade, e hoje desaparecidos. E para, talvez justificar o erro da “Cronologia Portuguesa”, em relação ao facto de atribuir a D. Frei Bartolomeu dos Mártires (1559/1582), voltamos de novo as “Fastos”, de Monsenhor Ferreira, onde no 3º Tomo, a pag. 14, se encontra a notícia “Trespasse e doação do Colégio de São Paulo e Estudos Públicos de Braga à Companhia de Jesus”. Dom Frei Bartolomeu, no intuito de melhorar os Estudos, entregou em 26 de Agosto de 1560, à Companhia de Jesus, o Colégio de São Paulo. Aclarado o equívoco, voltemos à Corografia. Continuando diz tem “ A Ermida de São Sebastião e o Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição de Religiosas da Terceira Ordem de S. Francisco, que se não me engano, não tem todo este Reino semelhante no hábito, o qual é branco com Escapulário azul e manto e uma insígnia da Senhora da Conceição ao peito: residem neste mosteiro cem Religiosas. Tem também dentro do seu aro o Hospital de São Tiago, chamado das velhas, e da administração do morgado de Real, que instituiu Lopo de Barros.” No índice do Tomo lº, da Corografia, elaborada aquando da segunda edição desta obra, que estamos a seguir, refere que depois da divisão territorial de Mousinho da Silveira, e pelo Mapa Geral Estatístico, referente ao ano económico de 1864/65, tinha 290 fogos (casas). SITIO DE BRAGA NO TEMPO DOS ROMANOS Passemos agora às referências de Senna Freitas e principiaremos pelo título de uma notícia, 1º Tomo, pag. 12 : A área onde se vê a igreja de S. Tiago de Cividade, era local central da cidade romana. Os muros deste local principiavam junto da igreja paroquial de S. Pedro de Maximinos, e daí corriam pela parte meridional, e por uma baixa, até onde se chama hoje Cividade, ficando dentro deste circuito, os terrenos onde agora está instalado o Convento de Nossa Senhora da Conceição (Instituto Monsenhor Airosa), o hospital de São Marcos que fica a nascente, a norte a Sé, até se prolongar até ao poente a Maximinos. Tinha aproximadamente esta circunferência, meia légua (dois quilómetros e meio), mas apesar de ser uma área um tanto ou quanto pequena, diz Freitas: naqueles tempos a cidade de Braga era opulenta, e o empório do comércio da província…É sabido, que os romanos em Espanha, fabricavam as cidades acastelando-as, e dando-lhes pequena circunferência em seus muros…”. Dentro da muralha romana há muitos vestígios dos seus antigos muros, “no espaço de quinhentos passos, para o sul, correndo de nascente para poente, e na altura de vinte e cinco, vinte, treze e doze palmos”, e como hoje em dia podemos comprovar, entre outras, pelas ruínas do balneário e do que resta de uma edificação, onde se acha instalado o Museu Dom Diogo de Sousa. Ainda no 1º Tomo, e a pag. 105, indica a primeira fortificação da cidade: “A primeira e mais antiga fortificação desta terra foi, segundo se presume, no mesmo sítio onde agora se vê a igreja de S. Tiago, dentro dos muros desta cidade, a que ainda chamam cividade – nome que conserva, apesar da sua antiguidade” e, na pag. 115, do mesmo tomo, informa que o sacrário foi ali colocado, por ordem do Arcebispo D. Frei Agostinho de Jesus, tendo-lhe doado uma certa renda. Apenas, dentro de muros, era a Sé, que usufruía esse privilégio. O Juiz da Confraria, confirmada no ano de 1556, tomava as contas, por obrigação ao morgado de Real, que “instituíra Lopo de Barros; pelo que lhe dava um tostão.” Na página 442, do V Tomo, descreve Senna Freitas, a Igreja dizendo que o seu interior consta da Capela-Mor, em que está o Sacramento, e tem a imagem do Santo Padroeiro, numa tela pintada; da parte da Epístola, altar colateral do mesmo Santo Apóstolo, com imagem de vulto ; mais abaixo está o altar de Santo António, e da parte do Evangelho, o altar e imagem de Nossa Senhora do Presépio. De seguida encontra-se a Capela das Chagas, num corpo separado da Igreja, por um arco, e sobre este as armas de São João de Latrão, templo de Roma, por gozar das Indulgências desta Basílica Romana. Tem também no arco, o escudo de armas do apelido dos Grãas, representado por uma águia estendida. O altar, privilegiado, tem a imagem de Cristo Crucificado e no Sacrário uma Relíquia do Santo Lenho. Segundo Albano Belino, a pag . 217, de “Archeologia Christã”, no altar desta Capela, na tribuna, está um “primoroso quadro a óleo, representando Cristo na Cruz…”. Esta tela de grande valor pictórico, tem sido muito desejada, a ponto de em tempos, pela menos duas vezes, ter sido tentado o seu roubo. Como dissemos foi fundada esta Capela, por Pedro da Gran que está sepultado em túmulo alto, num arco sólio, metido na parede e com epitáfio relativo ao fundador falecido em 19 de Fevereiro de 1605. Neste túmulo estão também os restos mortais de D. Bernardo, personagem que não conseguimos saber de quem se tratava. Por uma obrigação estatuária da Confraria, no dia 2 de Agosto, organizava-se uma procissão que da Igreja da Cividade ia até à Igreja de São Frutuoso. Em meados do sec. XIX, a freguesia da Cividade tinha trezentos e oitenta fogos (casas) nas quais moravam mil cento e trinta e duas pessoas. Terminamos por aqui as notícias que conseguimos obter desta freguesia que é considerada como a PRIMEIRA que foi fundada na Bracara Augusta. Braga, 26 de Outubro de 2010 LUÍS COSTA Email : luisdiascosta@sapo.pt www . bragamonumental.blogs.sapo.pt Telf. 253 216 602
publicado por Varziano às 19:43
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