Terça-feira, 26 de Outubro de 2010

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SÃO JOÃO DO SOUTO - 1701 PEQUENA RESENHA HISTÓRICA DESTA FREGUESIA Graças a alguns memorialistas como Silva Thadim, Carvalho da Costa, Inácio José Peixoto, Senna Freitas, Albano Belino e outros que agora não nos ocorre, podemos hoje recordar o que foi a Braga do século XVIII, as suas freguesias, a sua população, os seus templos, alguns sacrificados ao camartelo do progresso e outras coisas de interesse que se não fora a visão destes esforçados historiadores ficariam para sempre sepultados no esquecimento, escondidos no pó dos séculos. Já por diversas nos temos socorrido desses trabalhos e, hoje, de novo o vamos fazer, como de resto nos estamos servindo, para dar, desta vez uma resenha da freguesia de São João do Souto nos primórdios do século XVIII. Respigando do I Tomo da Corografia Portuguesa, que o Padre Carvalho da Costa, principiou a publicar em 1701, damos conta que a freguesia de São João do Souto era abadia que apresentavam os Arcebispos, para os quais rendia trezentos mil reis. Tinha novecentos e oitenta vizinhos (moradores). De notar que, segundo uma informação dada por Senna Freitas, em MEMÓRIAS DE BRAGA, a pág. 95, do I Tomo, Braga, juntando as três freguesias – São João do Souto, Sé e Cividade - tinha, ao tempo do rei D. Manuel 1º , oitocentos e quarenta e cinco moradores e que, seguindo o índice da Corografia, no tomo acima citado, pag. XXXVIII (reedição pós a divisão territorial de Mousinho da Silveira) o Mapa Geral Estatístico de 1864/65 dá como havendo em São João do Souto, 625 fogos (casas). No aro desta freguesia, refere Carvalho da Costa, há diversos templos, conventos e um hospital, que a seguir se descreve: “…uma notável capela de Nossa Senhora da Conceição, com arco para a igreja de São João, a qual fundou um provisor do Arcebispo Dom Diogo de Sousa, que era da família dos Coimbras, a quem a deixou com Morgado de quinhentos mil reis de renda e boas casas: é hoje Administrador desta capela José de Coimbra de Andrade, a qual tem duas Missas em cada semana. Tem mais esta freguesia em seu distrito o famoso templo de Santa Cruz, que se fez de esmolas, no qual há seis Capelains que rezam em Coro, e trinta com obrigação de Missa, para o que tem mais de dois mil cruzados de renda. A Igreja do Espírito Santo do Hospital, mais duas Capelinhas no mesmo Hospital, em que se diz Missa aos enfermos, e uma Capela de S. Marcos João, Bispo e Mártir, (primo e companheiro do Apóstolo S. Barnabé) aonde está o corpo deste Santo em um sepulcro antigo de jaspe coberto com uma pedra que guarda as sagradas relíquias, pelas quais obra Deus muitos milagres: esta Capela é muito antiga e está situada no campo dos Remédios: deste Santo tomou nome a rua que chamam de São Marcos, (não é actual, mas a que mandou abrir Dom Diogo de Sousa, desde a traseira da Sé, até à porta então de São Marcos { depois porta de São João Souto, ou porta Oriental } e que é hoje a Rua de São João) O Mosteiro de Nossa Senhora dos Remédios de Religiosas Franciscanas da Terceira Ordem, sujeitas aos Arcebispos de Braga, em que residem cento e quinze Freiras, e tem a regalia de (quando morrem os Prelados) tangerem a Sé Vacante, como na Igreja Catedral, e aceitaram as Freiras, que lhes parecem, sem sujeição ou dependência do Cabido. Fundou este Convento Dom Frei André de Torquemada, Terceiro Regular da Província da Andaluzia, Bispo de Dume, que lhe anexou a Igreja de São Pedro de Freitas, de que era Comendatário, com tudo quanto possuía; e pelos anos de 1551 lhe deu licença para esta fundação o Arcebispo Dom Frei Baltasar Limpo; está fora dos muros da Cidade em sítio alegre, hoje muito aumentado em edifícios e rendas, porque tem oito igrejas anexas. Dele saíram em diversos tempos fundadoras para o Convento da Conceição, da mesma Cidade e para o de São Francisco da Vila de Monção, que ambos são da Terceira Ordem Franciscana. O Convento de Nossa Senhora do Carmo de Carmelitas Descalços, junto ao Campo da Vinha, em que residem trinta e seis Frades. O Convento de Nossa Senhora do Pópulo de Eremitas de Santo Agostinho, em que residem vinte e seis religiosos, por não estar ainda acabado, com obrigação de terem duas Cadeiras, uma de Teologia e outra de Moral. Foi fundado pelo Arcebispo de Braga, Dom Frei Agostinho de Castro, Religioso da mesma Ordem, o qual lhe dotou seiscentos mil reis de juro para seu sustento, com obrigação, entre outras, de uma missa cootidiana pela alma delRei D. Filipe, que lhe dera o Arcebispado, e um ofício de nove Lições, e o enriqueceu com um grande tesouro de relíquias que trouxera de Roma e Alemanha, todas ricamente ornadas. Tem excelente cerca com cinco fontes singulares (uma delas que chamam a do Menino de jaspe, com notável delicadeza lavrada) e sete devotas Ermidas dos Passos da Paixão de Cristo, a que chamam Jerusalem, todas com grande perfeição, subindo de umas para as outras quase em caracol, e por remate destas Ermidas uma grande varanda com desimpedida vista; tem bons pomares e hortas e sobretudo uma formosa deveza, ou alameda de carvalhos postos por tal ordem que assim na grandeza como na distância são um delicioso emprego da vista; e tem uma vinha dentro, que não é a menor maravilha, porque dentro de três para quatro léguas de distância desta Cidade se não acha outra semelhante. A Capela de Nossa Senhora da Conceição, dentro do Seminário de São Pedro, que fundou o Arcebispo Dom Frei Bartolomeu dos Mártires, com bastantes rendas para o sustento de trinta e cinco Colegiais e oito Moços de Coro, que depois de servirem alguns anos na Sé, tem também beca. Tem saído deste Colégio para o governo das Igrejas do Arcebispado e para Religiões sujeitos grandes em virtude e letras. As Capelas de Nossa Senhora do Amparo e de Santo António. O Paço dos Arcebispos com duas Capelas e largos jardins e neles muitas pedras com letreiros romanos, que poucos se podem ler, por estarem mui gastados (sic). A capela de Nossa Senhora da Abadia. As Capelas do Castelo, do Aljube e da Relação, e dois Hospícios com suas Capelas, um dos Frades Bentos e outro dos Bernardos.” Quanto ao relato da Corografia, fica por aqui e pelo relatado acima podemos avaliar o que o camartelo do progresso destruiu. Por exemplo do Convento do Pópulo, da sua cerca, o que restou ? NADA!... O Mata Frades foi o grande tribuno do princípio do terramoto que se prolongou até aos nossos dias não só na nossa cidade arcebispal, como em outras partes do País. Muito mais se podia dizer sobre esta freguesia, mas sair-se-ia do âmbito a que nos propomos de início. Possivelmente deixá-lo-emos para outra oportunidade. Braga, 22 de Outubro de 2010 LUÍS COSTA Email: luisdiasdacosta@clix.pt www : bragamonumental@sapo.pt Telf. 253 216 602
publicado por Varziano às 19:50
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