Terça-feira, 26 de Outubro de 2010

São Pedro de Maximinos

SÃO PEDRO DE MAXIMINOS UMA PEQUENA RESENHA HISTÓRICA (1701) Em 1701, o padre António Carvalho da Costa, pretendendo dar a conhecer aos portugueses a descrição Topográfica do Reino de Portugal, principiou a publicar, depois de devidamente ter sido sujeita à apreciação e consequentes licenças da Santa Inquisição, a obra “COROGRAFIA PORTUGUESA”, na qual descreve em três Tomos, com o maior rigor possível para a época, o país “situado na parte mais ocidental da Europa, no melhor clima do mundo…Um dos mais notáveis reinos da Espanha, tanto pela fertilidade do seu terreno, quanto pelo valor e esforço dos seus naturais, que não só venceram expulsaram os mouros das próprias terras, como descobriram mares nunca antes navegados …”. Dividiu esses Tomos em três partes – Norte, Centro e Sul de Portugal – dedicando os dois primeiros às Magestades Reinantes que então estavam no Trono do Reino, ao tempo da sua impressão e divulgação. Assim o primeiro foi dedicado a Dom Pedro II, 1701; o segundo a Dom João V, 1707; o terceiro a Dona Mariana de Áustria, esposa do futuro rei Dom José, em 1712. Esta divergência de datas justifica-as o autor na dedicatória do terceiro Tomo, com as palavras com que abre o prólogo “Parece que foi providência distribuir-se a impressão dos três volumes da Corografia Portuguesa em três tempos, que achassem coroados três protectores do mesmo reino que descrevem”. Para nós o que nos interessa, para já, é o primeiro, que se resume à Província de Entre Douro e Minho o qual abrange a Arquidiocese, Comarca e Ouvidoria de Braga, seu termo, e Coutos sujeitos à Cidade Arcebispal. Assim, respigamos o que o Tomo I, nos diz sobre a freguesia que nos vamos debruçar – São Pedro de Maximinos. Na pag.155, refere: “São Pedro de Maximinos, Abadia da Mitra, rende quatrocentos e cinquenta mil reis com a anexa de Gondizalves, tem duzentos e quarenta vizinhos. É esta Igreja primeira, aonde os Arcebispos vinham fazer oração, antes que fizessem a primeira entrada em Braga: tem em seu Distrito uma Ermida de Nossa Senhora da Conceição, que está à entrada na entrada da Cidade, outra na Madre de Deus, na quinta de Estêvão Falcão Cota e outra de S. Gregório fundada em um monte. Junto esta paróquia de S. Pedro de Maximinos, teve seu princípio e primeira fundação a Cidade de Braga, de que se mostram ainda hoje ruínas de grandes edifícios, que dão testemunho de sua antiga magestade, e ainda se vê como um meio círculo, lugar em que estava o anfiteatro, aonde os Bracarenses ao modo dos Romanos celebravam as suas festas; e correndo de S. Pedro até ao Hospital de São Marcos aparecem vestígios, que indicam que até ali se estendia a Cidade antiga. Também há rastos de haver aquedutos, mui usados no tempo dos Romanos, com que se provia a cidade de água.” No índice, da segunda edição, já levada a levada a efeito, depois da reforma administrativa de Mousinho da Silveira, exemplar de que nos estamos a servir, seguiu o editor o Mapa Geral Estatístico das Côngruas, etc, relativo ao ano Económico de 1864/65, indicando a pag. XXIV, que anexada a Maximinos estava Gondizalves, e cujos oragos, respectivamente, eram S. Pedro e Santo André; e que as duas tinham no conjunto 373 fogos (casas). Nada mais refere a Corografia. Apesar do que acima se escreveu, não ficamos satisfeitos e procuramos mais informações sobre Maximinos. Para isso tivemos de recorrer a outros autores, mais recentes é certo, mas que também nos fornecem curiosos factos relacionados com esta hoje muito desenvolvida e próspera freguesia. São eles, Bernardino de Senna Freitas, Memórias de Braga, coordenadas por Pereira Caldas, em 1889 e Albano Belino, Archeologia Crhistã, 1900. Assim Senna Freitas, dá-nos no 1º Tomo, a pag. 95, o número de moradores à data em que anotou, na segunda metade do séc. XIX, para Maximinos 37 e para Gondizalves 21. Fala numa fonte nesta freguesia, fol.117, de águas medicinais e na qual, segundo a tradição bebeu o glorioso S, Tiago, quando veio a esta cidade. Já no 2º Tomo, a pag. 171, diz “Na circunferência da antiga cidade de Braga, no lugar em que estava a antiga igreja de S. Pedro de Maximinos, via-se outrora uma praça pública e uma coluna, tendo uma inscrição dedicada ao imperador Maximino….Sendo abade desta freguesia Manuel José Leite, secretário do Sereníssimo Arcebispo D. Gaspar, fez demolir essa igreja antiga; e a transferiu para a capela de Nossa Senhora da Conceição do Monte de Penas (dizem o lugar da forca) que fica na entrada cidade”. Albano Belino, na citada obra a pag. 195, refere “…próximo do local onde existiu uma das portas acasteladas e onde tempo dos romanos a companhia dos cidadãos fez à sua custa a casa da sociedade, como nos dizia a inscrição que no primeiro quartel do século passado (XVIII) apareceu ali encostada (Sodalicivm. Urbanorvm de suo fieri curraverunt). Sobre a demolição da igreja antiga, diz que estava um pouco afastada da actual, intitulada de Nossa Senhora da Conceição, cuja imagem é venerada em nicho aberto na fachada. Informa ainda que o Arcebispo obteve da Confraria a desistência da igreja e respectivas rendas para a fundação de um Convento de Ursulinas, mas que a sua morte impediu a execução do plano. Anota ainda duas inscrições lapidares uma que se encontra a capiar o muro do adro que diz “Esta capela mandou fazer o reverendo Francisco Pereira da Cruz, Reitor que foi de Queimada. Tem duas missas somanárias por sua tençam. Com sepultura perpétua para ele e “seus herdeiros (?)” e a outra na parede interior da sacristia, toda pintada de azul e tem as letras douradas. A sua leitura era “Memória da Bula perpétua de indulgências concedidas pelo Papa Paulo V e confirmadas por Clemente VIII no ano de 1604; e tem indulgência plenária na hora da morte. Ano de 1722.” Muito mais haveria a dizer sobre Maximinos, mas isto que aqui fica, é apenas uma pequena resenha de uma freguesia de Braga, pujante de desenvolvimento, e que por certo damos a conhecer a alguém, um pouco da sua história mais que bi-milenária. Braga, 21 de Outubro de 2010 LUÍS COSTA Email: luisdiasdacosta@clix.pt www :bragamonumental@sapo.pt Telf. 253 216 602
publicado por Varziano às 20:01
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