Quinta-feira, 28 de Outubro de 2010

Braga. reportagem de há 60 anos

BRAGA reportagem elaborada por volta de 1950 A Brochura editada por volta de 1950, pelos Serviços do então do Turismo em Portugal, relata uma reportagem, a qual passados 60 anos desde que foi realizada, não perdeu, nos dias de hoje, a sua oportunidade, ressalvando apenas o número da sua população. Portanto, não será descabido, sem a alterar, trazê-la aos nossos dias. Assim vamos copiá-la: “Braga, cidade do norte de Portugal, no términus caminho de ferro do Porto. População (1950), 32.624 habitantes. Braga, que, em importância, vem após Lisboa e Porto, é sede de Metrópole Eclesiástica. A sua Catedral do século XI-XII, foi em parte transformada durante o século XVI, no estilo nacional Manuelino. Tem outras igrejas dignas de referência: S. Frutuoso (nos subúrbios), século VII, exemplar do tipo bizantino, reconstruída na época moçarabe; Capela dos Coimbras, do século XVI, do estilo Manuelino, verdadeira museu de escultura; Misericórdia, de estilo Renascença, de bela fachada, com um pórtico lateral encimado por um formoso grupo escultórico; Santa Cruz, século XVII, de majestosa fachada; Hospital, século XVIII, igreja integrada no edifício hospitalar. É valioso o recheio da Biblioteca Pública e Arquivo Distrital, instalados em três palácios unidos – um medieval, outro Renascença e outro “rocaille” – que constituíam a residência dos Arcebispos, Senhores de Braga. Conserva-se ainda o monumento pré-romano denominado “A Fonte do Ídolo”, dedicado a uma divindade aquática nativa. Nos museus Dom Diogo de Sousa, da Sé e do Seminário de S.Tiago mostram-se restos de arte romana e bizantina, designadamente uma grande colecção de miliários das vias imperiais que partiam de Braga. Merece especial atenção o Tesouro da Catedral. As principais indústrias são: peças de automóveis, perfumaria, ourivesaria, tecelagem e chapelaria. Grandes festas se realizam em Junho, em honra a São João, célebres em todo o País pelo seu carácter folclórico. A comemoração da Semana Santa reveste brilho excepcional e é, liturgicamente, muito característica. Braga é centro de cultura muito importante. Tem uma Faculdade de Filosofia e vários Seminários, entre os quais um que é dos mais frequentados da Europa. Num monte sobranceiro ergue-se o Santuário do Bom Jesus do Monte, exemplar notável da arquitectura de jardins, do século XVIII. Perto, fica o Monte do Sameiro (2.535 pés de altura), onde está outro Santuário, dedicado à Virgem, que é o de maior devoção mariana no País, depois do de Fátima. Para Oeste, na mesma serra, fica a Falperra, com um convento e várias capelas e uma estação arqueológica com restos de uma Basílica do século V-VI. De todos esses lugares desfruta-se um magnífico horizonte. Braga é centro desportivo também, com um grande estádio, todo em granito da região, e no qual se conserva uma pedra vinda do Circus Maximus de Roma. HISTÓRIA – Braga é a “Bracara Augusta”, capital do Convento jurídico bracarense e da província Romana da “Gallaecia”, formada pelos Lusitanos que tomaram o nome de “Gallaeci” situados entre o Cantábrico e o Douro. Nos princípios do século V, foi conquistada pelos Suevos, que ali fundaram a capital do seu reino, que ocupou toda orla ocidental da Península Ibérica, - Portugal e Galiza. Foi, em tempo do rei Requiário, a corte do primeiro Reino Católico da Europa, graças à acção evangelizadora da Igreja Bracarense. Este Reino foi anexado ao Reino espanhol dos Visigodos em 585, conservando, porém, certa autonomia, como estado federado. Conquistada pelos Árabes nos começos do século VIII, Braga foi um dos primeiros focos de resistência aos invasores, com Pelaio, filho do Governador da Província e chefe da Reconquista cristã do Noroeste Ibérico. Desde 1093 a 1110 foi residência da Corte Portuguesa, onde o Conde Dom Henrique e a Rainha Dona Teresa tinham a sua morada. Depois, os Arcebispos de Braga possuíram jurisdição feudal até ao século XVIII. Os prelados bracarenses intitulam-se Primazes das Espanhas (Península Ibérica) pela antiguidade da sua Igreja e ainda por outros fundamentos: foi a única metrópole do primeiro Reino cristão astur-leonês, e foi a primeira sede metropolítica, das cinco províncias eclesiásticas existentes na Península antes da invasão árabe, a ser restaurada. Criou um rito próprio, a chamada Liturgia Bracarense, que ainda é o único válido na Arquidiocese primacial. Braga é a capital da Província do Minho” Eis como o repórter viu Braga, nos meados do século XX. Se ele ainda estiver neste mundo e se um dia voltar a fazer uma reportagem sobre a actual Braga, antes, porém, talvez lhe dê uma síncope ao notar a grande modificação que, passou em 60 anos – as fábricas quase desapareceram, as quintas à sua volta deram lugar a um desordenado urbanismo, aumentou em parte o comércio com as grandes superfícies. Graças à criação das Escolas Superiores – Universidade do Minho, Universidade Católica Portuguesa com as Faculdades de Filosofia e Teologia, Escolas Secundárias e outras instituições onde o ensino se faz, a população aumentou, devendo hoje orçar, se não ultrapassar, os cem mil residentes, muitos deles juvenis. Esta é a Braga, do século XXI, dinâmica, operosa e conservadora. Braga, 28 de Outubro de 2010 LUÍS COSTA
publicado por Varziano às 15:48
link do post | comentar | favorito
|

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Setembro 2012

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
11
12
13
14
15

16
17
18
19
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30


.posts recentes

. ...

. Museu Imagem

. Palacete Arantes

. Inauguração em Braga da e...

. CHAVES -Cidade Hericoica

. fonte campo das hnortas

. Março

. Fevereiro

. Homenagem

. João Penha - definitivo

.arquivos

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

.tags

. todas as tags

blogs SAPO

.subscrever feeds