Segunda-feira, 8 de Novembro de 2010

São José de São Lazaro

SÃO JOSÉ DE SÃO LÁZARO Durante cinco crónicas, pretendemos dar a conhecer parte da história das cinco freguesias que faziam parte da cidade de Braga, no início do século XVIII – Sé, Cividade, São João do Souto, estas dentro dos muros medievais, e duas fora dessa cintura, São Vitor e Maximinos. Agora, vamos completar o número das sete que hoje figuram no concelho, São José de São Lázaro e São Vicente, a primeira criada em 1747 e a segunda no passado século XX. Seguindo a lógica da antiguidade, nesta crónica dedicar-nos-emos a São José de São Lázaro, verdadeiro nome desta freguesia. Para começar vamos situar no ano da sua fundação, 1747. Governava a Arquidiocese Bracarense o Príncipe Arcebispo Dom José de Bragança. Segundo Monsenhor Ferreira na sua obra “Fastos Episcopais da Igreja Primacial Bracarense”, tomo III, pag. 314, o Arcebispo “tendo vagado a freguesia de São Vitor pela morte do seu Pároco Dr. Manuel de Mello e Lima em 2 de Março de 1747, aproveitou o ensejo para dividir esta Paróquia, que pela sua enorme extensão e numerosa população não podia ser curada por um só pároco. Dividiu-a, pois, e com a parte desmembrada criou a freguesia de São Lázaro, provendo e colando nela o Padre João do Couto Ribeiro em 5 de Setembro de 1747…”, ficando instalada a sua sede, na ermida da Gafaria, de São Lázaro e pretendendo preservar o seu nome, deu à paróquia o nome de São José de São Lázaro, nome que ainda hoje perdura na Freguesia Esta ermida, de pequenas proporções não se coadunava com a numerosa população que então já habitava este lugar. No entanto esta ermida serviu a população até ao período da governação arcebispal de Dom Frei Caetano Brandão (1790/1805), que a mandou derribar e, em sua substituição, fez erigir o templo actual. Vamos em seguida, socorrendo-nos de um caderno que em tempo escrevemos, fazer uma sumária descrição dessa nova igreja e, repetindo e aproveitando algumas notas sobre a freguesia de estamos a tratar. “PARÓQUIA DE SÃO JOSÉ DE SÃO LÁZARO” No entanto preservando para o futuro o nome do patrono da antiga ermida, São Lázaro, mas querendo também que o seu nome figurasse como fundador da freguesia, acrescentou-lhe José, determinado que a freguesia seria nomeada por FREGUESIA E PARÓQUIA DE SÃO JOSÉ DE SÃO LÁZARO. Esta informação foi recolhida por Monsenhor Ferreira, no Diário Bracarense de Silva Thadim, a pag. 155, nota que tem por título VIGAIRARIA DE SÃO LÁZARO. Pertencendo a área que hoje ocupa, desde tempos imemoriais, a São Vitor, São Lázaro em pleno século dezoito conquistou, podemos dizer, a sua independência dado o seu extraordinário povoamento que se originou, entre outros aspectos, na sua situação nas margens do rio Este. Contribuiu para o seu desenvolvimento, a sua rudimentar mas necessária indústria de moagem de pão, um dos mais imprescindíveis alimentos da população. Ao longo do pequeno rio, especialmente no lugar dos Galos, numerosos moinhos, tinham na força hidráulica a sua fonte de energia. Ainda hoje restos dessa indústria se pode observar. Mas estamos a fugir do principal motivo deste caderno – a velha igreja da paróquia de São José de São Lázaro. Estava situada ladeando a velha rua da Água, como era conhecida toda a extensão da via que partindo do Campo de Santana (hoje Praça da República) se dirigia à ponte de São João, caminho da Falperra em direcção a Guimarães. Esta via popularmente tinha três nomes: o primeiro Rua das “Agoas” até à igreja de São Lázaro, que aí tomava o nome do patrono da igreja; de seguida mais à frente era conhecida até à velha ponte romana ( ponte restaurada por Carlos Amarante, depois de destruída por uma grande enchente em 1779, que provocou a morte a 32 pessoas ) atribuíam-lhe o de rua da Ponte de São João. Albano Belino, em “Archeologia Christã”, diz que “a actual igreja, de arquitectura simplíssima, foi construída a expensas do arcebispo Dom Frei Caetano Brandão”. De facto pela gravura que ilustra este caderno podemos atestar esta apreciação do consagrado autor. A fachada do templo de São Lázaro era dividida, praticamente, em três aspectos visuais. O primeiro incluía a porta de entrada até ao friso onde se iniciava a segunda, que incluía um grande janelão e a terceira, como remate, era composta pelo frontão triangular. Analisemos agora em pormenor cada um destes aspectos. No primeiro destacava-se a porta de entrada, colocada sobre uma série de quatro degraus, em escada, quer dizer, os mais extensos junto ao pavimento da rua, diminuindo os outros em escala até chegar à soleira. Em cada lado da porta, estibolátos, serviam para suporte e começo das pilastras, encimadas por simples capitéis, prolongavam-se até ao cimo do conjunto que a envolvia e suportava a arquitrave. Esta era ladeada por ombreiras que desde o degrau da entrada, se erguiam até à verga um pouco abaulada que nelas se apoiavam. Ao lado, nas paredes e junto às pilastras dois pequenos motivos, sem qualquer ornamento. Sobrepujando esta primeira parte, uma cintura de pedra, ao redor de um quase cobertura, assentava uma composição pétrea, decorada em almofadas, servia de base, ao grande janelão, com vidros em quadrículas, que iluminava o interior do templo. Nesta segunda parte em que dividimos a fachada nada mais existia de menção. Para início da terceira parte, via-se uma espécie de cornija que se prolongava para as faces laterais e que era a parte inferior do frontão fechado, triangular, ao centro do qual se encontrava uma cartela com decoração. Para rematar a fachada, sobre as colunas laterais, viam-se duas urnas, estriadas, rematadas por uma espécie de floreiras. Ao centro do ângulo superior, num acrotério, um pseudo barroco, suportava a cruz arcebispal. Quanto à fachada em si, nada mais merece apreço o que é o mesmo que dar razão a Belino. Na gravura que inserimos há no entanto motivo para chamarmos a atenção. Referimo-nos a dois aspectos que ela apresenta. Na parte esquerda vemos duas representações. Uma em que se nota uma janela de guilhotina tem na parte baixa, sobre um pequeno telhado, uma porta envidraçada. Era um oratório do Senhor da Aflição. No qual se venera ainda uma pintura de Cristo e que foi transferido para o lado norte de um dos edifícios que os Serviços Sociais da Caixa de Previdência construiu depois do derrube do velho templo. Ao lado uma porta, num muro de alvenaria dava acesso à sacristia. Curiosa é a representação de um pormenor, quase escondido que ali se vê, um remate de uma cruz. Trata-se do Cruzeiro de São Lázaro. Durante muitos anos ocupou o logradouro da sacristia, e o muro que encerrava este logradouro não permitia a sua vista. Como tal, só e apenas algumas pessoas o conheciam. Cabe aqui fazer uma referência ao símbolo da cruz. Para isso seguimos Albano Belino e a sua obra “Archeologia Christã” que sobre este símbolo refere: “Já no tempo dos egípcios, cartagineses, assírios, persas, hebreus e gregos, a cruz era aplicada aos suplícios de malfeitores, introduzindo-a Tarquínio Soberbo em Roma para a execução das sentenças de pena última; e subsistiu este costume até que o Imperador Constantino Magno, em atenção ao suplício de Cristo, a fez venerar como símbolo que é a redenção da humanidade. Desde então o lábaro santo principiou a aparecer hasteado, como pregão de paz e amor, perdão conforto e esperança, na cúspide dos montes, nas povoações sertanejas e nas cidades e vilas, sobre a coroa dos monarcas, junto das encruzilhadas e sobre as pontes…” E assim a cruz, que até então era um símbolo de castigo, passou a ser um símbolo de paz e amor, disseminada por toda a parte, desde os mais recônditos lugares até aos mais diversificados. Já agora e, como se costuma dizer, como “estamos com as mãos na massa”, vamos alongarmos um pouco mais sobre as “cruzes”, e deixaremos para mais adiante falarmos no Cruzeiro de São Lázaro. Por vezes nas pontes encontramos estes símbolos da religiosidade. Segundo o autor acima citado, uma cruz numa ponte quer dizer: “Podeis crer que são duas pontes: por uma se vai ao céu, por outra se passa o rio”. Afirma também que no norte de Portugal era frequente a prática dos montinhos de pedra junto de uma cruz no local onde alguém tinha morrido de desastre ou violência e que esses montinhos de pedras se formam rezando por cada pedrinha que se colocava junto da cruz, um Padre-Nosso, e às quais lhes chamava o povo “Fiéis de Deus”. Sobre a colocação a meio das pontes de uma cruz, temos para exemplo uma na ponte medieval de Ponte de Lima. Por vezes em vez da cruz, aparece, substituindo-a uma legenda epigráfica com, inserindo ao lado de outras indicações, uma oração ou conselho ou uma informação como, por exemplo, na ponte de Prado: “Esta obra fez António de Castro, da vila de Viana, no ano de 1676. Enquanto tiveres (vida), deias (dá). Mira (olha) por ti, sê prudente. Asi (assim) como se paga a ponte se paga a vida brevemente”. Como curiosidade, e para ficarmos com um breve conhecimento, reportando-nos a Belino e á obra citada, “a forma da cruz de Cristo, dois paus atravessados em ângulo recto, é egípcia. O vocábulo, derivado do latim crus, significa tronco de árvore abaixo da bifurcação: assim eram as primeiras cruzes a que se condenavam os presos como o foi São Sebastião. Mas voltemos ao Cruzeiro de São Lázaro. A princípio estava quase contíguo à igreja, num pequeno largo formado ao lado norte, onde os Granginhos se ligavam à rua da Água, e foi feito em 1735. Tem uma imagem de Cristo Morto, e a coluna, diz Belino, é dividida em gomos salientes que se desenvolvem bastante na parte inferior, como se pode ver na gravura que ilustra este caderno. Na base lê-se da inscrição: “Senhor das Necessidades, reformado à custa dos devotos no ano de 1884”. Quando as obras iniciais para a abertura da Avenida da Liberdade, foi removido para o terreiro de entrada da sacristia onde, como já dissemos, estava quase escondido pelo muro. Quando a Avenida principiou a ser rompida em 1906, decalcando a rua da Água e casas, quintais, hortas, pomares, tanques e poços, e que ficavam a um nível inferior ao piso actual, a igreja foi poupada pois ali terminou a primeira fase da grande obra que a Câmara do princípio do século XX idealizou – uma grande avenida ligando o centro da cidade ao lugar de São João da Ponte e caminho de Guimarães. Cerca dos anos 50 desse século, estando a Câmara sobre a presidência de Santos da Cunha, continuou a abertura do restante até à Ponte, mas a igreja ali continuou “de pedra e cal” obstruindo a perspectiva da avenida. Finalmente, por finais dessa década, foi resolvido o imbróglio, com o acordo para, por perto, se construir um novo templo. E assim graças ao empenho do Arcebispo Dom Francisco Maria da Silva, foi possível inaugurar em 1976, uma nova igreja de linhas modernas, risco do arquitecto lisboeta José Maria dos Santos, na continuação da rua 25 de Abril. Junto a êste novo templo, como homenagem ao arcebispo que incrementou a nova construção, foi erigida a estátua de Dom Francisco Maria da Silva e, no espaço ajardinado ao lado direito, foi colocado o elegante cruzeiro a que nos referimos acima. A escolha desta feliz localização, deve-se a várias diligências de alguns paroquianos. Chegou a aventar-se a hipótese de ser recolhido no Museu Dom Diogo de Sousa, mas estes não concordaram em sair do espaço da freguesia e chegaram a dar a sugestão do Largo do Rechicho mas com a construção do novo templo, a opinião foi unanimidade no actual local. O INTERIOR DO TEMPLO QUE FOI DESTRUÍDO Era constituído por uma só nave, com altares laterais e ao cimo a Capela Mor. Podemos dizer que o seu interior era bem modesto, nele apenas sobressaía a talha da tribuna, sanefas, executadas por volta dos anos trinta do século passado numa oficina de entalhador situada na rua de Santa Margarida. Os lambris das paredes interiores eram revestidos a meia altura por azulejos, com motivos dos martírios de Cristo. As imagens de valor foram transferidas para o novo templo, bem como para ali passou o rico Arquivo Paroquial no qual estão registados factos relevantes ocorridos na paróquia como, por exemplo, o registo da sepultura do Engenheiro Villa Lobos, assassinado no Alameda de Santa Ana (Avenida Central), aquando das invasões francesas. VALÊNCIAS DA FREGUESIA São várias as valências que a Paróquia de São José de São Lázaro, presta á sua numerosa população residente e não só. São elas a ATL creche e Jardim de Infância, Lar da Terceira Idade, Centro de Dia, Apoio Domiciliário, CRIAS (Centro de Resposta Integrado de Apoio aos doentes da Sida) e ainda à nossa associação UBATI (Universidade Bracarense do Autodidacta e da Terceira Idade), à qual tem dado especial carinho, que muito agradecemos, alunos, professores (entre os quais sou um modesto colaborador) e funcionários. Da responsabilidade da JUNTA de FREGUESIA, na rua 25 de Abril, há um Jardim de Infância, com bastantes sombras e vários apetrechos para entretimento dos pequenos “fregueses”. O CRUZEIRO Mas voltemos ao Cruzeiro de São Lázaro. A princípio estava quase contíguo à igreja, num pequeno largo formado ao lado norte, onde os Granginhos se ligavam à rua da Água, e foi feito em 1735. Tem uma imagem de Cristo Morto, e a coluna, diz Belino, é dividida em gomos salientes que se desenvolvem bastante na parte inferior, como se pode ver na gravura que ilustra este caderno. Quando as obras iniciais para a abertura da Avenida da Liberdade, foi removido para o terreiro de entrada da sacristia onde, como já dissemos, estava quase escondido pelo muro. Como já referimos quando a Avenida principiou a ser rompida em 1906, decalcando a rua da Água e casas, quintais, hortas, pomares, tanques e poços, e que ficavam a um nível inferior ao piso actual, a igreja foi poupada pois ali terminou a primeira fase da grande obra que a Câmara do princípio do século XX idealizou – uma grande avenida ligando o centro da cidade ao lugar de São João da Ponte e caminho de Guimarães. Cerca dos anos 50 desse século, continuou-se a abertura do restante até à Ponte, mas a igreja ali continuou “de pedra e cal” obstruindo a perspectiva da avenida. Finalmente, por finais dessa década, foi resolvido o imbróglio, com o acordo para, por perto, se construir um novo templo. E assim graças ao empenho do Arcebispo Dom Francisco Maria da Silva, foi possível inaugurar em 1976, uma nova igreja de linhas modernas, risco do arquitecto lisboeta José Maria dos Santos, na continuação da rua 25 de Abril. Junto a êste novo templo, como homenagem ao arcebispo que incrementou a nova construção, foi erigida a estátua de Dom Francisco Maria da Silva, e ao lado, no espaço ajardinado ao lado direito, foi colocado o elegante cruzeiro a que nos referimos acima. A escolha desta feliz localização, deve-se a várias diligências de alguns paroquianos. Chegou a aventar-se a hipótese de ser recolhido no Museu Dom Diogo de Sousa, mas estes não concordaram em sair do espaço da freguesia e chegaram a dar a sugestão do Largo do Rechicho mas com a construção do novo templo, a opinião foi unanimidade no actual local. Mas voltemos ao Cruzeiro de São Lázaro. A princípio estava quase contíguo à igreja, num pequeno largo formado ao lado norte, onde os Granginhos se ligavam à rua da Água, e foi feito em 1735. Tem uma imagem de Cristo Morto, e a coluna, diz Belino, é dividida em gomos salientes que se desenvolvem bastante na parte inferior, como se pode ver na gravura que ilustra este caderno. Na base lê-se da inscrição: “Senhor das Necessidades, reformado à custa dos devotos no ano de 1884”. Quando as obras iniciais para a abertura da Avenida da Liberdade, foi removido para o terreiro de entrada da sacristia onde, como já dissemos, estava quase escondido pelo muro. Quando a Avenida principiou a ser rompida em 1906, decalcando a rua da Água e casas, quintais, hortas, pomares, tanques e poços, e que ficavam a um nível inferior ao piso actual, a igreja foi poupada pois ali terminou a primeira fase da grande obra que a Câmara do princípio do século XX idealizou – uma grande avenida ligando o centro da cidade ao lugar de São João da Ponte e caminho de Guimarães. Cerca dos anos 50 desse século, estando a Câmara sobre a presidência de Santos da Cunha, continuou a abertura do restante até à Ponte, mas a igreja ali continuou “de pedra e cal” obstruindo a perspectiva da avenida. Finalmente, por finais dessa década, foi resolvido o imbróglio, com o acordo para, por perto, se construir um novo templo. E assim graças ao empenho do Arcebispo Dom Francisco Maria da Silva, foi possível inaugurar em 1976, uma nova igreja de linhas modernas, risco do arquitecto lisboeta José Maria dos Santos, na continuação da rua 25 de Abril. Junto a êste novo templo, como homenagem ao arcebispo que incrementou a nova construção, foi erigida a estátua de Dom Francisco Maria da Silva, e ao lado, no espaço ajardinado ao lado direito, foi colocado o elegante cruzeiro a que nos referimos acima. A escolha desta feliz localização, deve-se a várias diligências de alguns paroquianos. Chegou a aventar-se a hipótese de ser recolhido no Museu Dom Diogo de Sousa, mas estes não concordaram em sair do espaço da freguesia e chegaram a dar a sugestão do Largo do Rechicho mas com a construção do novo templo, a opinião foi unanimidade no actual local. São várias as valências que a Paróquia de São José de São Lázaro, presta a sua numerosa população residente e não Só. São elas a ATL creche e Jardim de Infância, Lar da Terceira Idade, Centro de Dia, Apoio Domiciliário, CRIAS (Centro de Resposta Integrado de Apoio aos doentes da Sida) e ainda à nossa associação UBATI (Universidade Bracarense do Autodidacta e da Terceira Idade), à qual tem dado especial carinho, que muito agradecemos, alunos, professores (entre os quais sou um modesto colaborador) e funcionários. UM POUCO DE HISTÓRIA DESTA GRANDE FREGUESIA Sendo uma das maiores freguesias da cidade, freguesia em constante expansão que já mereceu a sua desmembração com a criação da paróquia de Santo Adrião que lhe pertencia, deve em parte a sua riqueza ao longo dos anos pela pujante indústria, centrada principalmente pelo rio que corre ao longo do seu vasto território – o rio Este. O seus moinhos de pão que sustentaram ao longo dos anos o fornecimento de farinha, para o principal alimento das populações bracarenses, moinhos situados nas suas tão desprezadas e inaproveitadas margens por quem de direito que tinha a obrigação de as proteger, foram em tempos idos, quando o rio era saudável e não um “encanudado” e pestilento foco de imundice, um saudável recanto desta arquiepiscopal cidade. Ali se pensou em instalar uma pequena hidroeléctrica, foi criada uma fábrica de papel e já no século vinte uma saboaria, mas uma das suas principais fontes de fama foram aas águas termais que, apesar de pouca valia, serviram para serem usadas para doenças de pele. Na sua margem, junto à agora rua dos Barbosas, existe a famosa fonte dos Galos, considerada durante muitos e muitos anos como o fontanário que melhor água fornecia a Braga. Mas o lugar de São Lázaro correu mundo quando, no século dezoito, aqui foi instalada uma fábrica de armas de guerra e caça, as famosas LAZARINAS, então consideradas pelos especialistas, como as melhores armas da Europa a ponto de serem copiadas por uma fábrica belga e que em qualidade lhe eram inferiores. Aqui esteve para ser montada, por um alemão casado com uma moça de São Lázaro, uma fábrica de cerveja. Ainda nos anos vinte do século vinte ali foi montado um balneário público, para servir a população bracarense, com instalações então modernas e cujas plantas do edifício, preços, adjudicação do concessionário se encontram no Arquivo da Câmara Municipal de Braga. Tem a honra de ter tido a primeira fábrica de sinos de Portugal – o Anuário Pitoresco de Portugal, ano 1864, anota que existiam ferramentas da fábrica de Braga, Manuel Ferreira Gomes, datadas de 1630. Já nos nossos tempos, foi a freguesia distinguida com instalações desportivas – o Estádio inaugurado em 28 de Maio de 1950 e a primeira piscina, ambos no Parque da Ponte. Cabe a São José de São Lázaro a honra de albergar dentro do seu circuito o principal motivo de atracção festiva da cidade, as Festas de São João que, teimosamente querem apelidar de Festas da Cidade, e que trazem a Braga, no solstício de verão, milhares de forasteiros de Portugal de norte a sul, ao campo da Ponte, num arraial puramente minhoto. Nesses dias calmosos de verão a capelinha-ermida de Nossa Senhora do Ó e de São João, enche-se, noite e dia, de romeiros que ali vão cumprir as suas promessas ou rogar o auxílio ao Santo Percursor para os males de cabeça. Desses dias não podemos de deixar aqui de anotar, os quadros bíblicos no rio com destaque especial para a figura gigantesca de São Cristóvão transportando nos seus possantes ombros o Pequeno Deus Menino. Nesta freguesia encontra-se a antiga Quinta da Mitra, uma das residências de veraneio dos Arcebispos de Braga, que depois do decreto de Abril de 1911 ( lei da separação ), passou para a posse do Estado e finalmente, passou para a Câmara, passando a denominar-se Parque de São João da Ponte, belo recinto de lazer onde foi instalado o campo desportivo, hoje chamado Primeiro de Maio. Também neste recinto se fixou a primeira piscina pública moderna. A FONTE DOS GALOS A meio da rua dos Barbosas, um pouco à frente do passadiço que transpõe o rio para dar acesso a una casa, edifício que cremos deu origem ao topónimo da rua, no qual está montado sobre um desvio do rio, um moinho, o moinho dos Barbosas, encontra-se uma fonte. Trata-se de uma fonte de água, não medicinal como um manancial que, por perto ali existia, mas que outrora era considerada como a melhor água de Braga. Ainda nos finais do século XIX e até um pouco mais tarde, era recolhida pela população, dada a sua fama de boa e até de muito boa. Dizem que era um correr de pessoas, fazendo bicha para encher os seus cântaros, tal como hoje o fazem na duvidosa Fonte de Fraião, não com essas vasilhas cerâmicas, quase em desuso, mas substituídos por garrafões plásticos. Depois da intensa ocupação humana da parte do arruamento de entrada para a Estrada da Falperra e depois da urbanização feita por essas bandas, a sul e a nascente do lugar, iniciada nos fins do século XIX e ainda hoje continuada, a veia da linfa deve ter sido cortada e, quando menos, poluída, pelo deixou de ser procurada para abastecimento popular. Também contribuiu para o seu prático abandono, quando por volta dos anos de 1913, a água do Cávado principiou a abastecer a cidade, pelos depósitos então criados em Guadalupe. O nome da fonte deriva de que, no muro de sustentação da rua, e sensivelmente a meio se encontrar relevada na pedra de uma grande cartela dois grandes galos afrontados e, por baixo, uma bica de onde corria o precioso líquido. Reportando-nos a Albano Belino, no seu trabalho “Inscrições Letreiros”, publicado em 1895, se refere a esta fonte dizendo: “Fonte dos Galos” Acha-se esta fonte o sítio do mesmo nome, à margem esquerda do rio D’ Este, outrora rio Aliste em documentos antigos. Está próxima das águas sulfúrea, que actualmente se acham em exploração, para utilidade dos enfermos a quem são aplicáveis. Foi feita a expensas do público, em 1639. No alto vê-se a legenda seguinte: EXPENSIS PUBLICIS ANNO 1639 Frontalmente à fonte encontra-se um passadiço, o segundo a partir das Gavieiras, que dá acesso à antiga verdadeira zona industrial, isto é, à zona dos moinhos. É nesta zona que ainda se pode ver como era feita a moagem dos cereais em tempos idos, pois alguns continuam a trabalhar pelo sistema hidráulico. Um deles, pelo menos, ainda há poucos anos funcionava pelo sistema de pás ou penas, accionadas pela corrente da água. Ultrapassada a parte dos moinhos, local que merece uma visita e já agora uma limpeza e bom aproveitamento turístico, onde há ainda construções onde a modernidade não chegou, vamos passar por uma estreita rua na qual existe um oratório dedicado ao “Senhor dos Aflitos”, que veio a dar o nome ao largo onde se encontra e dá saída para a Avenida da Liberdade e ultimamente para a parte cimeira da Urbanização do Carandá e Centro de Saúde. Segundo o citado Albano Belino diz que no largo das Latinhas, há o oratório do: “Senhor dos Desamparados”: No lugar das Latinhas, próximo à nascente das águas sulfurosas denominadas dos Galos, existe um oratório envidraçado, em que se venera uma pintura de Cristo em madeira sob a invocação do Senhor dos Desamparados”. Será o mesmo e que o povo passou a chamar “Senhor dos Aflitos”, depois da deliberação camarária de 3 de Março de 1957, ter baptizado com este novo topónimo o largo das Latinhas ? Voltando ao rio, devemos dizer que há uma certa altura do ano em que ele, popularmente, vê o seu nome substituído. Referimo-nos ao período das Festas de São João em que pelo figurado lá colocado passa a ser o “RIO JORDÃO”, pois representa o quadro bíblico do baptismo do Senhor, quadros que nenhum forasteiro deixa de admirar, pois senão o fizer, não fez a festa completa. No meio do pequeno rio, as figuras de Cristo e São João e este lançando-lhe sobre a cabeça a água baptismal. Nas margens vários figurantes compõem a cena, encanto de miúdos e adultos nos festejos Sanjoaninos, não faltando os apóstolos e até um deitado na relva, segurando na cana de pesca um espelhante peixinho. Este quadro confronta com o lado da rua dos Barbosas, e é a ponte o melhor lugar para o apreciar. Do outro lado, da Avenida Pires Gonçalves (acesso ao Parque de Exposições), estão os encontros ainda visíveis da antiga ponte que diziam romana destruída, juntamente com a do Fontismo quando, finalmente, por volta dos anos 60 do passado século, chegou ao recinto do Parque da Ponte, a avenida da Liberdade e construída a de hoje. A ponte que, como dizemos dita romana, era a reconstrução da primitiva sob a direcção de Carlos Amarante, depois de ter sido destruída em 30 de Junho de 1779 por uma grande enchente do rio Este, na qual morreram afogadas 32 pessoas. Essa tragédia está assinalada numas alminhas, colocada junto à primitiva ponte e por isso chamada “Alminhas da Ponte”, foi colocada junto ao quiosque, à entrada da avenida de acesso ao Parque interior. É do lado da Avenida Pires Gonçalves que, no São João, numa espécie de açude, se coloca o gigante São Cristóvão, simulando a passagem, aos seus ombros, para a margem oposta o Deus Menino, complemento dos quadros bíblicos figurativos das festas Sanjoaninas. O Parque da Ponte está dividido em duas distintas partes; uma vedada, que inclui uma pista de descontracção, um lago com barcos gaivotas, uma viodioteca, jardim infantil, amplas áreas frondosas de repouso e entre outras um bar restaurante sobre parte do lago; a outra parte, onde se situa a ermida de São João e Nossa Senhora do Ó, é um verdadeiro museu pétreo a céu aberto onde foram recolhidos restos de várias demolições que, principalmente, nos princípios do século XX se efectuaram em Braga, como os da fachada e partes interiores do Convento dos Remédios – as estátuas de Santa Isabel, Rainha de Portugal; Santa Isabel, Rainha da Hungria; São Francisco de Assis e Santa Maria Madalena ou Santa Marta (há umas certas dúvidas) e ainda mesas de altares, colunas e capiteis, tampas funerárias e até lá existia um relógio de Sol, que levou sumiço. Mas não só esses testemunhos vieram dos Remédios, lá está a coluna do Senhor da Saúde que Dom Diogo mandou colocar junto à Sé, o conhecido Diabo Manquinho, que procedeu da cerca do Paço dos Arcebispos e que não é mais do que o símbolo de bobo da corte do Arcebispo Dom José de Bragança. É esta freguesia muito rica em monumentalmente. Dentro do seu aro são numerosos os seus marcos que atestam a sua antiguidade, apesar de, como sede de administrativa e paróquia, contar apenas de duzentos e sessenta e sete anos. No seu vasto território contam-se, entre outros, o monumento pré-romano da “Fonte do Ídolo”, “O Cruzeiro da Senhora a Branca”, “A Igreja dos Congregados”, com o edifício anexo que era o Convento, e é hoje a Escola de Enfermagem, “A Igreja da Penha”, com o modificado convento da “Penha”, hoje Lar Dom Pedro V, “O Cenóbio de uma ordem religiosa”, à entrada da antiga Cangosta da Palha, as obras primas de André Soares, “O Palácio do Raio” e a “Casa do Rolão”, a velha capela de “Santo Adrião da Corrica”, com reminiscências românicas. Na avenida Central, que já foi, por volta dos fins do século XIX e durante quase todo o seguinte, o lugar onde, na primavera e verão, há quinta-feira, à noite, se reunia a população bracarense sénior, e de derriço para os novos, mantendo a tradição que vinha de quando a Banda Regimental ali se apresentava, pode admirar--se o coreto, considerado, pela boa sonoridade como um dos melhores, como podemos apreciar no Parque exterior da Ponte, o belo representante da “belle époque”, que é o coreto, bordado com bons exemplares de azulejos dessa época, muito embora hoje estejam tal mal tratados. Mas não só São Lázaro vive do passado, hoje é uma freguesia pujante, onde o comércio, os serviços e a indústria tem destacável lugar, os estabelecimentos de ensino desde a primária até ao secundário estão bem representados – Escola de São Lázaro, Dona Maria II, André Soares e Alberto Sampaio. Pelo censo de relativo ao ano económico de 1864/65, a freguesia de São José de São Lázaro, tinha 912 fogos (casas). Hoje, deve ser, possivelmente, em população e número de eleitores, a segunda ou terceira da cidade. Esperamos com esta singela crónica, ter contribuído, um pouco para o conhecimento de um bocado da história da Freguesia de São José de São Lázaro. Braga, 8 de Novembro de 2010 LUÍS COSTA Email : luisdiascosta@sapo.pt
publicado por Varziano às 16:49
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