Terça-feira, 16 de Novembro de 2010

Largo da Senhora a Branca

RECANTOS DE BRAGA LARGO DA SENHORA A BRANCA Em tempos apelidado de “ROSEIRAL DE BRAGA”, o lindo jardim do Largo da Senhora-a- -Branca, é mais um ex-libris, apanágio da cidade de Braga onde vicejam alguns jardins que, até certo ponto, amenizam um ambiente onde prolifera o cimento e o asfalto e dão um aspecto triste com as construções modernas, verdadeira super-mercados de pessoas arrumadas em autênticas prateleiras, numa imiscuidade que torna a vida daqueles que tem sujeitar-se a viver assim armazenados, num inferno. Ao centro deste agradável e bonito recanto de Braga, quando principalmente na Primavera, com o despontar das flores, que perfumam o ambiente, e nos dias calmosos do Verão, ao fim da tarde é o refúgio de muitos pares namorados, está colocado um elegante cruzeiro, transferido para este local por volta do princípio da segunda dezena do século passado do extremo Nascente da antiga Alameda do Campo de Sant’Ana ( Avenida Central ), ao fundo da rua do Sardoal. Há quem atribua este monumento, obra de Dom Diogo de Sousa (1502/1532), mas quanto a nós e não só, pelas flagrantes semelhanças com o Cruzeiro de Dom Furtado de Mendonça (1619/1627), no Largo das Carvalheiras, achamos que se pode atribuir a êste arcebispo o mando da sua feitura. No seu aspecto apresenta-nos uma coluna assente num quadrilátero, almofadado, seguido de um fuste repartido em três partes – inferior decorada com trabalhos em pontas de diamante ou óvulos ( característica do século XVII ), e as duas restantes estriadas, terminando num capitel compósito, ao qual se sobrepõe um acrotério, encimado por uma esfera esquartejada e rematada pela Cruz Arcebispal. O supedâneo de sete degraus em que assenta ( lugar ideal para alguns pares de namorados vindos das escolas que ali por perto estanciam se deliciarem nos seus devaneios amorosos ), fazem com que sobressaia este belo conjunto neste recatado jardim. Está classificado como Monumento Nacional, pelo decreto de 16 de Outubro de 1910. Podemos dizer que este recanto está dividido em duas partes. Uma é a que já referimos. A outra, está separada da totalidade, por um arruamento que vem da Avenida 31 de Janeiro e segue para a rua de Sana Margarida. Este é atravessado por um arruado que se dirige para São Victor, formando portanto dois canteiros. Num deles sobressai o busto do Dr. Alberto Cruz, cirurgião bracarense que prestou serviço no Hospital de São Marcos, conversador excepcional, foi durante várias legislaturas deputado pelo Círculo de Braga, na antiga Assembleia Nacional. Ladeado por árvores de fruto - tangerineiras já decadentes, plantadas em 1932 - tem a adorná-lo, em frente da igreja da Senhora-a-Branca um pequeno e gracioso fontanário, circundado por uma também pequena taça. No canteiro do lado norte, sobressai a estátua a corpo inteiro do Papa Pio XII, colocado neste jardim como uma homenagem de Braga, ao Papa do dogma da Assumpção. Em algumas fachadas deste recanto de recanto podem admirar-se azulejos com motivos florais, do princípio do século XX. Nos gavetos deste jardim com a Avenida 31 de Janeiro, dois edifícios se impõem. Um deles, o lado que vem da rua do Raio, edifício do arquitecto Moura Coutinho, continua a respeitar a sua antiga traça. Já não podemos dizer o mesmo ao do outro gaveto. Mandado construir por um brasileiro, de seu nome Veloso, no último quartel do século XIX acabou por ser vendido por um seu familiar – Matos Graça, razão porque era também conhecido êste palacete – e depois de várias vicissitudes acabou por entrar no negócio imobiliário, tendo sido destruído o seu interior – uma escada principiada por um lanço, seguida do patamar no qual se abria a cada lado um lanço de acesso ao andar superior e iluminada por trabalhoso lanternim que tinha a embelezá-lo uma graciosa arcaria. Os tectos eram trabalhados a gesso e dourados. Nas paredes figuravam algumas pinturas murais. Tudo desapareceu debaixo do camartelo INOVADOR, salvando-se apenas a fachada. Mas há quem diga, que o património se salvou PORQUE TUDO FOI FOTOGRAFADO !... Triste satisfação ou desculpa !... A coroar este novo recanto, está a pequena igreja de Nossa Senhora-a-Branca, templo dedicado a Nossa Senhora das Neves, donde derivou o nome de “A BRANCA”. Inicialmente era uma pequena ermida denominada Senhora da Carreira e diz Albano Belino, em “Archeologia Christã” que era da arquitectura dórica. No tempo do arcebispado de Dom Diogo de Sousa, foi esta ermida reconstruída e dedicada a Nossa Senhora das Neves, devoção do grande arcebispo restaurador e primeiro urbanista da cidade de Braga. Desta reconstrução resta a parte inferior do templo, notando-se ainda do lado da rua de São Victor, a platibanda da obra de Dom Diogo, uma sineira vazia e no fecho do arco da porta principal, voltada para o jardim, as suas armas de fé. No século XVIII, ao tempo do Arcebispo Dom Gaspar de Bragança, a nova reedificação foi sujeita esta pequena igreja. Foi-lhe acrescentado a parte superior, tornando-a mais airosa, e a Torre Sineira, que respeitou a maneira de construção – Torre Traseira – idêntica no seu estilo e feitura à torre da igreja que lhe fica próxima – São Victor – o que nos leva a concluir que, talvez tenha sido o de ambas o mesmo arquitecto ou construtor. Colocada num plano elevado, três a quatro degraus, a igreja da Senhora-a-Branca apresenta na sua fachada elementos arquitectónicos dignos de registo. Num plano um pouco avançado emolduram a porta em arco da entrada principal quatro grossas colunas de fuste liso, simples, duas em cada lado, sustentadas sobre uma estilóbata, também avançada em relação ao soco da fachada, soco que vai encastoar, por sua vez, nos cunhais laterais do conjunto. Estas colunas servem de suporte a uma arquitrave, de pedra trabalhada, que é encimada por varandim gradeado, ladeado por uma coluna em cada lado, na perpendicular das colunas mais interiores da porta principal. Estas colunas são do mesmo estilo da porta de entrada. Servem para destacar um oratório, em arco que encerra a imagem de Nossa Senhora-a-Branca. Sustentam estas colunas, uma nova arquitrave avançada como a de baixo. Ao lado dois janelões, iluminam o interior do pequeno templo. Os cunhais, alinhados com a fachada, são encimados por um acrotério. Sobreposto por estes elementos a fachada é rematada por um frontão, em mitra, que encerra uma cartela com uma inscrição latina e a data de 1771. Sobre o frontão vê-se ainda um quadrilátero que suporta cruz arcebispal. Os azulejos que estão colocados aos lados laterais bem como os dos lambris do interior, são recentes, isto é, se se pode dizer que os do final do século XIX, são ressentes em relação a outros de outros templos. Pedro de Aguilar e sua mulher instituíram nesta igreja, no século XVIII, um coro de cinco capelães, com obrigação de missa quotidiana por suas almas. Também nela havia uma confraria cuja patrona era Nossa Senhora do Ò, ou da Expectação. Sempre que uma mãe estava para dar à luz, a pedido esta confraria dava um sinal tocando um pequeno sino, para que quem ouvisse o sinal rezasse pelo feliz desenlace. Este sino está hoje colocado na sineira Sul, da torre. Braga, 23 de Abril de 2006 LUÍS COSTA Email: luisdiasdacosta@clix.pt Email:luisdiascosta@sapo.pt www: bragamonumental.blogs.sapo.pt
publicado por Varziano às 12:49
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