Sexta-feira, 4 de Fevereiro de 2011

BRAGA- Roteiro Histórcio e Monumental- Extra Muros - 1ª parte

B R A G A ROTEIRO HISTÓRICO E MONUMENTAL EXTRA MUROS INTRODUÇÃO Tendo publicado em 1985, um «Roteiro Histórico do Centro Cívico» da Cidade de Braga, e tendo prometido que se seguiria um outro roteiro que completaria este primeiro e que abrangeria parte da cidade extra-muros, varias vicissitudes não permitiram concretizar até hoje esta promessa. Arredadas essas dificuldades. Abalancei-me a oferecer àqueles, que muitos o foram, me animaram a prosseguir na promessa e aqui estou hoje a apresentar este trabalho. Sei bem que não com um trabalho profundo (deixo isso para quem melhor do que eu o execute) mas espero que ele contribuo um pouco para dar a conhecer esta terra, que não sendo a minha, considero que o e. pois te,2ho mais artes de t'ida em Braga do que as minhas andanças por outros locais. Ofereço-o a todos os bracarenses e não SO, trzCt.t5 amigos, pedindo-lhes benevolência para estas singelas notas, que apesar de tudo me deram imenso trabalho mas que espero contribuam um pouco para servir de guia aqueles que quiserem ficar a conhecer melhor a Braga dos Arcebispos, Primazes das Espanhas. Com ele poderão ver Braga melhor e reparar como é bola a NOSSA CIDADE. PRAÇA DO CONDESTÁVEL Entrando na cidade pela Estrada Nacional que vem do Porto, por Berreiros, deparamos logo ao fim da rua Cidade do Porto, na Praça do Condestável, como a saudar-nos na visita a esta JOVEM CIDADE com mais de dois milénios de história, com a ESTÁTUA DE SANTOS DA CUNHA a homenagem a um presidente da Câmara que ocupou os destinos da cidade durante doze anos consecutivos Bracarense nato, que à sua terra dedicou grande parte da sua intensa actividade, de resto reconhecida por muitos seus conterrâneos que com o seu óbulo contribuíram para homenageá-lo a colocou a entrada da cidade que ele ajudou a tornar maior. Prosseguindo pela Avenida Conde Dom Henrique, chegamos à ROTUNDA DE MAXIMINOS e ai deparamos, ao lado esquerdo, sobre o antigo Monte das Penas> com a IGREJA DE SÃO PEDRO DE MAXIMINOS Igreja Paroquial próxima do local onde existiu uma das portas acasteladas e onde no tempo dos romanos a companhia dos cidadãos fez à sua custa a casa de habitação da sociedade, como nos diz a inscrição que no «primeiro quartel do século passado (XVIII> apareceu ali encostada - SODALICIUM - VRBANORVM – D - S - F - C - 1 Soda!icium Urbaqorum de suo [jeri curaverunt» diz Albano Belino, em «Archeologia Christã», possivelmente da parte da muralha romana. Por perto existiu o Circo Romano, que autores do século XIX diziam ter ainda visto as suas ruínas e que com o desenvolvimento da cidade, desapareceram. E esta uma das mais antigas paróquias da cidade e parece ter sido poupada aquando das invasões muçulmanas onde ficaram alguns dos cristãos que a troco de pesados tributos, continuaram a praticar a sua religião e a trabalhar para os invasores. No tempo de Dom Gaspar de Bragança, sendo o Abade Manuel José Leite, secretário do Arcebispo, demoliu-se a primitiva igreja, situada por muito perto do actual Largo do Beco, e construiu-se a actual, como dissemos, no Monte das Penas. Essa igreja tinha a invocação de Nossa Senhora da Conceição, cuja imagem está hoje situada no nicho fronteiro da fachada cujo estilo barroco é representativo da época em que foi construída. A entrada da antiga estrada que pela rua onde esteve a fábrica do gaz e hoje matadouro, deparamos com o lugar do PEÃO DA MEIA LARANJA cujos restos de um fontanário ainda por lá se encontram espalhados. A seguir deparamos com a RUA DA MADRE DE DEUS que bifurcando com a antiga estrada nos enfrenta, atravessando a estrada que segue para Barcelos, o edifício do COLEGIO DOS ORFÃOS DE SÃO CAETANO exemplar colégio, fundado em 1791 por Dom Frei Caetano Brandão, no Campo de Touros, (hoje Praça do Município) no lado norte deste Campo, tendo-o então baptizado com o nome de «SEMINÁRIO DOS ÕRFÁOS DE SÀO CAETANO», com o fim expresso de recolher rapazes órfãos. No seu início viu logo aumentada a sua população para 150 rapazes. Cem anos depois, no século passado, foi ocupar as instalações, compradas em hasta pública a Francisco Maria Falcão Costa de Barbosa e Macedo, em 24 de Maio de 1885, pela quantia de 18.814$640 reis. O portão da entrada principal, tem a encimá-lo o brasão da família Cota e Falcão, tendo no jardim o busto do eminente arcebispo que deu origem a esta instituição que conta já mais de duzentos anos: D. Frei Caetano Brandão. Situado, portanto, na antiga casa e quinta dos Falcões, as obras deste colégio foram iniciadas em 1888, tendo-se construído ao centro deste vasto edifício a Capela, com a frente para Noroeste, defrontando a linha do caminho-de-ferro, razão porque é quase desconhecida. Sob o risco do arquitecto Stamin, é «um belo exemplar da arquitectura latino-bisantina, diz Albano Belino», bem mais digno de figurar na frente do que nas costas do Colégio». Digna de apreciar-se a grande rosácea e como remate da fachada tem a encimá-la a cruz primacial. Também vale a pena entrar no templo para apreciar as primorosas esculturas das imagens dc Nossa Senhora Auxiliadora e a de São José, esculturadas em Barcelona. Um pouco à frente deparamos com a Ponte dos Falcões, que dá acesso às Escolas de São Pedro de Maximinos. Dirigindo-nos de novo à rotunda de Maximinos, vamos pela rua Comendador Santos da Cunha e subindo a rua dos Bombeiros Voluntários, olhando à direita vemos a iniciada construção do futuro Museu Dom Diogo de Sousa que, aproveitando as rumas romanas postas naquele local a descoberta, irão constituir o núcleo do museu arqueológico que encerrará todo o material de arqueologia que tem sido descoberto na cidade. Depois viramos à esquerda para a rua Dr, Rocha Peixoto e encontrámo-nos na COLINA DA CIVIDADE Cercado por uma rede metálica, penetramos por um largo portão nas ruínas romanas da antiga Cividade, onde por entre restos de alicerces de construções desses recuados tempos podemos ver o resultado das escavações ali levadas a efeito pela Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho e que puseram a descoberto as Termas Romanas. Neste recinto encontram-se espalhados vários testemunhos da passagem da civilização romana por esta região que baptizaram de BRACARA AUGUSTA, como por exemplo alguns marcos milenários recolhidos não só na estrada da jeira, como de outros caminhos que da Bracara se dirigiam a Astorga e depois a Roma e ainda outros elementos recolhidos nas várias escavações que se têm levado a efeito na cidade. Saindo deste espaço, deveremos dirigir-nos para o lado da antiga rua do Matadouro, onde numa pequena colina deparamos com a: CAPELA DE SÃO SEBASTIÃO uma pequena ermida que possivelmente, segundo a opinião que nos prestou um dos membros da Unidade de Arqueologia, está a ocupar o lugar onde os romanos teriam o seu templo pagão, dedicado a MERCÚRIO, o deus do comércio, já que quando das obras que se realizaram no paredão de suporte em 1620, ali apareceu uma pequena estatueta deste deus mitológico, conforme a informação recolhida em Senna Freitas na sua obra «Memórias de Braga». Albano Belino, na sua obra «Archeologia Christã», corrobora esta informação dizendo: «Há muito boas razões para se acreditar que esteve neste local das Carvalheiras o edifício da LARIA ROMANA, que, no dizer de PLINIO, (História Nat. 1. 3,~, Cap. 3, pág. 26> era a principal da Galiza, com jurisdição de 24 cidades e 275.000 habitantes». (Não seria entao possivel ali tanibéni estar instalado o seu Templo?). Mais tarde, entre 1838-1839 foram construídos o paredão e o escadório actual, obra a cargo do mestre pedreiro Domingos Fernandes, da rua da Cónega. Situada na Alameda das Carvalheiras, a capela de São Sebastião foi mandada reedificar por Dom Rodrigo de Moura Telles, como reconhecimento e agradecimento a este Santo pela debelação de uma peste que então grassava em Braga. A reconstrução modificou por completo o anterior edifício que ai tinha sido mandado edificar por Dom Diogo de Sousa, cuja porta de entrada principal se achava orientada para poente. A obra mandada fazer por Dom Rodrigo decorreu entre o período de 26 de Outubro de 1716 e 18 de Janeiro de 1717, e gastou nela a quantia de 2.200$000 reis. Foi benzida nesse ano de 1717, e houve uma procissão com a imagem do Santo, desde a igreja de São Tiago da Cividade, onde se encontrava devido às obras, para a sua nova e reedificada capela. Sobre a porta de entrada mandou o reedificador colocar o seu brasão de fé sete castelos, tendo, um pouco mais acima, a escultura em pedra do Santo Patrono. Entrando neste pequeno templo onde os Bombeiros Voluntários que têm o seu quartel ao lado mandam rezar mensalmente uma missa pelos seus colegas e benfeitores falecidos - notamos ao lado esquerdo do altar-mor um recipiente em chapa de ferro, que servia para alojar um rolo de cera com 1527 varas, medida que abrangia o total do perímetro das muralhas Fernandinas que encerravam a cidade medieval, Esta grande vela era acesa ao domingo e dias santificados durante a celebração da missa. Foi em 1570, em tempo da peste que invadiu a cidade de Braga, em lembrança e voto da Câmara e em nome do povo que esse círio se fez medindo exactamente a circunferência da cidade, e se prometeu ir todos os anos em procissão da Capela de 5. Sebastião das Carvalheiras, fazendo ao redor das muralhas, uma procissão com o círio, o qual arderia no seu templo nos dias de festa. Desaparecida a doença a Câmara principiou por cumprir o voto que havia feito. É de notar nas suas paredes interiores a decoração de azulejos do Século XVIII, com cenas representativas do martírio de São Sebastião e que são atribuídos a António de Oliveira Bernardes. A Imagem de Nossa Senhora da Ajuda, venerada nesta Capela, foi para ali transferida aquando da demolição do Arco da Ajuda, ou de Maximinos, que então dava acesso pela rua dos Burgueses ou de Maximinos, à Sé Primacial (hoje rua Dom Paio Mendes). Deixando este pequenino templo, vemos no paredão que enfrenta a casa nobre de São Sebastião das Carvalheiras - a Casa do Conde de São Joaquim - uma fonte adossada ao muro, que ali foi colocada, retirada da rua dos Granjinhos, aquando da construção do novo Hospital, e que datava do tempo de D. Diogo de Sousa. Ao largo que está ao seu lado, onde se encontra a Administração Regional de Saúde, foi-lhe atribuído o nome do insigne presbítero bracarense do século V, que a História da Cultura Europeia conhece pelo nome de Paulo Orósio. Aqui se encontra, como já dissemos, o quartel dos Bombeiros Voluntários Bracarenses. Num dos lados, restam ainda vestígios da primitiva muralha medieval, com a torre de defesa que deu nome a um Colégio - o Colégio da Torre - que ocupava uma casa senhorial, na qual ainda se mantém o Brasão de Armas de Família. Neste largo esteve em tempos instalada a Escola Bartolomeu dos Mártires. Prosseguindo pela rua do Matadouro velho, notamos ao lado direito a Escola da Sé e, ainda, na velha rua com entrada por detrás do SLAT, estão neste momento a decorrer escavações para porem a descoberto uma zona residencial e possivelmente comercial romana. Estas escavações a cargo da Unidade de Arqueologia decorrem a um bom ritmo e, uma vez terminadas virão a provar a importância da cidade romana, Bracara Augusta.
publicado por Varziano às 18:34
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