Sexta-feira, 4 de Fevereiro de 2011

BRAGA - 6º Parte

5ª Parte Deixando para trás o miradouro e capela, situado no monte que deu o nome à rua de Santa Margarida, dirigimo-nos agora para a PRAÇA MOUSINHO DE ALBUQUERQUE popularmente conhecido por CAMPO NOVO. Sendo um dos mais harmoniosos largos da cidade, com o seu traçado inigualável, onde primitivamente as casas pertencentes ao Cabido da Sé Primacial de Braga, obedeciam todas ao mesmo estilo, foi no século passado alterado com a construção do Palacete Carcavelos e ainda por uma outra construção seguida e que faz gaveto com a rua das Oliveiras. Este largo principiou por ser aberto cerca de 1725, conforme nos informa Silva Thadim, no seu manuscrito «Memórias Bracarenses». Ao centro desta linda praça foi colocada, em 1914, a Estátua de D. Pedro V, transferida da Praça D. Pedro V, que se situava ao fundo do Jardim Público (Avenida Central) no enfiamento da rua de São Gonçalo com a Cangosta da Palha. Ficou assente no mesmo local onde existia um lago que recebia água da Fonte Barroca, que se situa no lado Norte da praça. Esta fonte foi mandada fazer por um dos Arcebispos Bragança, e a sua água vinha de uma nascente que existia num olival (daí o nome de rua das Oliveiras) nas traseiras do actual edifício ocupado pelos serviços da C.R.S.S. (palacete do Conde de Carcavelos). Passemos agora à rua das Oliveiras, nome que sabemos como foi atribuído e percorrendo-a entramos num largo que hoje tem o nome de LARGO DA FACULDADE DE FILOSOFIA que popularmente nunca perdeu o seu antigo topónimo de Largo das Teresinhas por ai se ter instalado desde 1766, a igreja e convento de Santa Teresa, numas casas compradas a Pedro Fernandes. Em 18 de Maio de 1763, iniciou-se a construção da igreja e pequeno convento, utilizando para a sua factura pedra cortada nesse largo. A 14 de Junho de 1767, foi a igreja benzida pelo cónego Francisco de Mendonça, tendo no dia imediato o Arcebispo D. Gaspar de Bragança assistido à primeira missa ali cantada. Como as restantes ordens religiosas sofreu este convento as mesmas vicissitudes provocadas pela lei de 1834, que exterminou as congregações em Portugal e seus domínios. No entanto, ainda em 1900, ali residia a última freira professa. Hoje ocupa este antigo Convento e igreja o ASILO DE SÃO JOSE instituição de auxílio a pessoas necessitadas, fundado na rua da Água por volta dos anos de 1850-1851, conforme se pode ver no livro de Correspondência recebida do Governo Civil, do Arquivo da Câmara Municipal de Braga, que diz: «ofício n.0 7 - Novembro, 5, 1851 - Ordena que achando-se fundado um Asilo de Inválidos nesta cidade já provido de roupas e utensílios necessários e convinda manter no mesmo pé tão caritativa instituição, esta Câmara ouça e consulte as Juntas de Paróquia do Concelho, sobre o modo mais cómodo e menos gravoso de se dar execução ao n.0 6 do Código Administrativo, aplicando as sobras das Irmandades e Confrarias ao sobredito estabelecimento, por sua natureza pio e caritativo, o qual contando ainda apenas alguns meses de existência tem já prosperado e merecido a simpatia de almas bem fazejas do Distrito». Por proposta do deputado pelo Círculo de Braga, Dr. Manuel Joaquim Penha Fortuna foi pedida ao Estado a concessão do Convento de Santa Teresa, que havia passado para a posse do estado devido à lei de 1834, para nele ser instalado o Asilo de Inválidos de São José, (Livro de Actas da Câmara Municipal de Braga, 1881-1882, [ol. 9 v.), o que veio a tornar-se efectivo. Hoje, com instalações remodeladas, e actualizadas, modernas e com todas as comodidades necessárias, aloja cerca de cem utentes, entre os quais alguns acamados. E uma obra que honra a cidade e os seus directores que, ao longo deste século e meio, tem estado à frente dos seus destinos, auxiliados pelas Irmãs de uma Congregação religiosa. O Portal da Igreja, parece ser obra de André Soares, dada a semelhança com outros pórticos atribuídos e documentados deste notável arquitecto amador bracarense. Sobre esta porta de entrada, lateral como era uso nas congregações de clausura, está num nicho a imagem de Santa Teresa. No seu interior, como por exemplo na caixa do órgão, trabalhou outro arquitecto bracarense - Carlos Amarante. Voltando ao largo deparamos com o novo edifício da FACULDADE DE FILOSOFIA recentemente acabado de construir pelos Padres Jesuítas, e que é uma das Faculdades da Universidade Católica Portuguesa. No centro da fachada desta construção encontra-se uma pequena capela, denominada: do Coração de Jesus e que pertence ao interior e adjacente edifício, também dos Padres Jesuítas, e denominado de Casa do Apostolado da Oração (A.O.). A Capela está aberta ao culto público. Para se construir este novo edifício foi necessário derribar a Escola de São Vicente, uma escola doada à então freguesia de São Vítor, pelo Conde de Ferreira. Dando saída para a rua de São Vicente, encontramos uma acidentada e estreita rua cujo topónimo é de RUA DE ESPANHA a entroncar não só na rua de São Vicente, como dando seguimento à rua do Burgo. Antes de entrarmos na rua de Espanha, deparamos, à esquerda, com a rua de São Barnabé onde se acha instalada a Comunidade da Companhia de Jesus, com capela privativa em seu antigo Seminário de 5. Barnabé; que, depois passou a Instituto Superior de Filosofia «Beato Miguel de Carvalho», semente e origem da Faculdade de Filosofia, depois, também origem, como sua primeira Faculdade, da Universidade Católica Portuguesa. Chegados por aqui à rua de Santo André, voltamos ao Campo Novo (Praça Mousinho de Albuquerque) e vamos até ao entroncamento da rua de São Gonçalo, aberta por volta de 1725, no Governo da Diocese Bracarense de D. Rodrigo de Moura Telles. A meio desta íngreme rua (uma das poucas ruas da cidade com declive acentuado) encontra-se o Colégio Paulo VI, com a sua capela, de pertença e administração de uma Congregação Religiosa feminina (Religiosas «Capuchinhas»), e de cujo complexo educacional faz parte um Jardim-Escola. Chegados ao gaveto da rua de São Gonçalo com a Avenida Central acha-se ao lado esquerdo o RECOLHIMENTO DE SANTA MARIA MADALENA (Convertidas) que ocupa o antigo Convento e Capela de Santa Maria Madalena (Convertidas), fundado em 1712 pelo Arcebispo D. Rodrigo de Moura Telles e destinado a albergar 12 mulheres arrependidas para as quais destinou o fundador, para seu sustento, diariamente vinte reis e meio alqueire de pão por semana. Autorizada a construção por breve do Papa Clemente XI, datado de 14 de Agosto do ano acima referido, este recolhimento foi ocupar o local da Capela de São Bartolomeu, fundada naquele local pelo Arcebispo D. Jorge da Costa, razão pela qual ostentava na sua fachada as armas de fé deste Arcebispo, mas que juntamente com as de Tomé da Costa estão hoje colocadas no edifício que pertenceu ao Conselheiro Jerónimo Pimentel, nas Carvalheiras (Cooperativa do Leite). Para aumentar as antigas instalações da capela, comprou D. Rodrigo, duas moradas de casas juntas, despendendo ao todo nesta obra a quantia de 2.800$00 mil reis. Na actual fachada, sobreposta à porta principal da entrada do Recolhimento mandou o Arcebispo Moura Telles, colocar num frontão barroco, o emblema do Recolhimento de Santa Maria Madalena - a Penitente. Sobre a porta de entrada da Capela, que passou a denominar-se de São Gonçalo, colocou D. Rodrigo o seu brasão de Fé - Sete Castelos - brasão que se vê em outras construções mandadas executar por este pequeno grande Arcebispo. No interior deste pequeno templo pode admirar-se o excelente retábulo do altar-mor, barroco inicial, de notável feitura. São de destacar ainda uns painéis de azulejos do tipo de figura avulsa, de influência holandesa, únicos deste género existentes em templos de Braga. Estamos agora na Avenida Central e, por este lado, vamos encontrar alguns bons edifícios barrocos dos finais do século XVII e princípios do XVIII. Ao centro do jardim da Avenida foi colocado uni monumento de arte moderna: três pirâmides, evocando a vinda a Braga, do Papa João Paulo II. Fronteiro a este monumento, e formando gaveto com a antiga cangosta da Palha, está o edifício, agora restaurado do Barão da Gramosa. Num dos canteiros deste lado da Avenida, um monumento lembra os Irmãos Roby, mortos em África ao serviço de Portugal. Prosseguindo vamos encontrar uma obra atribuída a André Soares: a denominada CASA DO ROLÃO uma magnífica fachada, hoje em péssimo estado de conservação a merecer há muito, pelo menos, uma mão de cal e pintura. Seguindo nesta rota deparamos com o LAR D. PEDRO V que substitui o Asilo D. Pedro Y, instalado no antigo Convento da Penha de França, em homenagem ao malogrado e jovem rei que visitou a cidade nos meados do século passado. Completamente remodelado, passou depois a albergar as educandas do Asilo de Meninas Órfãs, uma criação do Arcebispo D. Frei Caetano Brandão, e que se achava instalado na rua de São Domingos. No jardim interior deste lar, ainda persiste o antigo claustro e a fonte central. Daqui passamos a IGREJA DA PENHA DE FRANÇA templo do extinto Convento, que D. Rodrigo de Moura Telles, fundou em 1720, depois de ter transformado em Convento de Clausura o recolhimento que o benemérito Pedro de Aguiar e sua mulher haviam instituído em 31 de Maio de 1562, para ali recolher sete piedosas senhoras, as quais foram chamadas de Beatas da Penha de França. Ampliou o edifício destinado às «Beatas» e mandou construir a capela que tem sobre a sua porta lateral e única para a Alameda (habitual como já dissemos nos Conventos sujeitos a esta determinação) além das suas armas de Fé, um nicho que alberga a imagem de Nossa Senhora da Penha de França. No seu interior, rico em todo o seu aspecto, destacam-se o retábulo da Capela-Mor, os dois laterais, barrocos dourados, o púlpito (peça de extraordinário valor) atribuído ao entalhador bracarense Marceliano de Araújo e ainda os magníficos azulejos do século XVIII, assinados por Policarpo de Oliveira Bernardes. Deixando a igreja da Penha vamos em direcção ao LARGO DA SENHORA-A-BRANCA e aqui encontramos um lindo jardim, apanágio de Braga, onde estes espaços estão a tornar-se verdadeiros ex-libris, já conhecido como o roseiral, encontra-se o elegante cruzeiro da SENHORA-A-BRANCA que foi transferido, em 1914, do extremo Nascente de Alameda do Campo de Santana, onde se situava, pouco mais ou menos, em frente do términos da rua do Sardoal e como tal nas publicações do princípio do século é denominado por CRUZEIRO DO CAMPO DE SANTA ANA. No seu aspecto apresenta-nos uma coluna assenti num quadrilátero, com almofadas, seguido de uma coluna repartida em três partes a inferior decorada com pontas de diamante ou óvulos, e as duas restantes estriadas terminando num capitel compósito, ao qual se sobrepõe um acrotério, encimado por uma esfera, esquartejada rematada pela Cruz Arcebispal. Este cruzeiro tem sido erradamente atribuído D. Diogo de Sousa (séc. XVI), quando ele nos apresenta todas as características do século seguinte e e, como já dissemos, muito semelhante ao do Largo das Carvalheiras que foi mandado fazer pelo Arcebispo D. Furtado de Mendonça. O supedâneo de 7 degraus sobre que assenta, fazem com que sobressáia no belo conjunto deste recatado jardim. Está classificado como Monumento Nacional, pelo decreto de 16/06/1910. Ultrapassando o cruzamento da avenida 31 de Janeiro, continua o jardim para o lado seguinte. Aqui deparamos com o BUSTO DO DR. ALBERTO CRUZ Cirurgião bracarense que prestou serviço no Hospital de São Marcos. Político e conversador excepcional foi durante várias legislaturas deputado pelo Círculo de Braga, na antiga Assembleia Nacional. Nos gavetos do jardim da Senhora-a-Branca, com a avenida 31 de Janeiro, situam-se de um lado uma construção devida ao risco do Arquitecto Moura Coutinho e no outro, ocupado pelos Serviços Médico-Sociais, encontra-se o Palacete Matos Graça, hoje propriedade da A.R.S. Prédio construído por volta do último quartel do século passado, possui no seu interior, dependências decoradas com pinturas murais sendo também de realçar os magníficos tectos em gesso, portas com vidros decorados e ainda uma imponente escada de acesso ao andar superior, com um lanternim em arcaria. No lado Norte, a estátua do Papa Pio XII. Foi colocada neste jardim como uma homenagem da cidade de Braga ao Papa do dogma da Assumpção. Uma pequena mas graciosa fonte, está fronteira à igreja de NOSSA SENHORA-A-BRANCA pequeno templo dedicado a Nossa Senhora das Neves, de onde lhe veio o nome de Senhora-a-Branca. Inicialmente era uma pequena ermida, denominada de Nossa Senhora da Carreira, reconstruída depois por D. Diogo de Sousa, e desta reconstrução resta a parte inferior do templo, notando-se ainda do lado da rua de São Vitor, parte da platibanda dessa obra de D. Diogo, e na porta principal, ostenta ainda o seu brasão de Fé. No século XVIII, ao tempo do Arcebispo D. Gaspar de Bragança, foi de novo reedificada sendo-lhe acrescentada a parte superior e a torre sineira que respeitou a então maneira de construção - Torre Traseira, idêntica no seu estilo à torre da que lhe fica próxima: igreja de São Vítor. Sobre a porta principal encontra-se um nicho que encerra a imagem da Virgem. Na primitiva ermida achava-se instituída a Irmandade de Nossa Senhora das Neves. Pedro de Aguilar e sua mulher Maria Vieira, de quem já falámos aquando do Recolhimento da Penha de França, instituíram nesta igreja coro de 5 capelas com missa quotidiana por sua alma. O seu interior é digno de uma visita. O retábulo do altar-mor, com o sacrário atribuído a André Soares e altares colaterais, são de apreciável valor. Na torre encontra-se, na sineira voltada ao Sul, um pequeno sino, que em tempos era pertença da confraria de Nossa Senhora da Expectação, ou do Ó, que sempre tocava para anunciar que uma mãe estava para dar à luz. Abandonando este pequeno templo, dirigimo-nos à rua de São Vitor, uma rua aberta ao meio das antigas ruas da Régua e da Seara, das quais ainda se encontram vestígios nos locais em que esta nova rua deixou as antigas construções que se notam em terreno não no mesmo nível da actual de São Vítor, como por exemplo, o edifício onde esteve instalada a Junta de Freguesia, de um dos lados, enquanto que do outro, também se nota o primitivo piso da rua da Régua. Cem metros percorridos, vamos encontrar, num pequeno outeiro, a IGREJA DE SÃO VITOR que é a reconstrução de um velho templo, que teve a sua origem numa doação do clérigo Vasco Mendes a São Martinho de Dume, da sua quinta de São Victouro, impondo-lhe a obrigação de ali criar um mosteiro. Depois das invasões muçulmanas (parece que estes pouparam o primitivo templo, deixando que os cristãos ali praticassem a sua religião, muito embora sujeitos a pesados tributos mas a razão principal desta tomada de posição deve relacionar-se com o [acto de apenas, como guerreiros, precisarem de quem trabalhasse as terras para o seu sustento) o que por certo não obstou a que, pelo menos, as injúrias do tempo não acabassem por o pôr em ruínas, o que veio a ocasionar que fosse de novo levantado por um Padre, Nuno Forjaz, em 1031. Anos decorridos, em 1096, o seu padroeiro Nuno Soares doou o mosteiro ao Arcebispo S. Geraldo. De novo D. Paio Mendes (1118-1137), reedificou e sagrou a igreja, tomando o título de ABADE DE SÃO VITOR, dignidade que transmitiu a todos os seus descendentes, e que teve a confirmação do Papa Eugénio III. Ainda, mais tarde, no século XV, outra vez é reconstruída, e desta vez pelo Arcebispo D. Jorge da Costa. Em 1686, encontrando-se em muito mau estado o templo de D. Jorge da Costa, devido à acção e a expensas do Arcebispo D. Luís de Sousa, sob projecto do arquitecto Miguel de Lasccol reconstruiu-se um novo templo, desde a raiz, que no dizer de Albano Belino, tem elementos na arquitectura da sua fachada «jónicos» com o aspecto da contra reforma, mas tem a orná-la já elementos maneiristas tanto no janelão como nas cartelas com a inscrição relacionada com a nova edificação. O estilo barroco também nesta fachada apresenta uns prenúncios, como por exemplo nos nichos que albergam as duas estátuas de abades. No seu interior é notável o completo cobrimento das paredes que desde o soco até ao tecto, em pedra, está repleto de azulejos hagiográficos, atribuídos a Gabriel dei Barco e Minusca. Datados de 1690, este é um dos mais valiosos conjuntos azulejísticos de Braga. ~ também notável o retábulo do altar-mor, em talha dourada, que sendo de início barroco primitivo nacional, foi diversas vezes alterado, a última das quais foi em meados do século passado. O sanefão que encobre o arco cruzeiro é uma obra de 1930, e foi seu executor um artista bracarense que tinha oficina na rua de Santa Margarida. Como algumas igrejas desta época também o templo de São Vitor, tem posicionada na traseira, num prolongamento por detrás do altar-mor, a torre traseira que, como já dissemos é muito semelhante à da Senhora-a-Branca, e possivelmente ambas do mesmo mestre. Dado o seu grande interesse, o templo foi classificado como Monumento Nacional, pelo decreto n.0 129/77, de 29/09/1977 Ao lado deste templo no Largo do Assento (nome que talvez derive do facto de ali se fazerem as inscrições dos fregueses, assentos de baptismo e casamento) encontra-se a remodelada Residência Paroquial com o anexo Salão de Recreio. Deste largo parte a rua de São Domingos, (antiga rua da Tamanca na gíria popular), e que em tempos era um local onde mais se encontravam os artesãos sombreireiros, isto é, aqueles que produziam chapéus e deram origem à indústria de chapelaria, tão próspera no final do século passado e princípios do actual e hoje desaparecida. Deixando o templo, depois de ultrapassarmos o cercado adro, por grades do lado da rua e por umas escadas com arranques barrocos, deparamos, fronteiro ao portão de entrada, com um belo exemplar de edifício que poderá datar do templo anterior ao actual. No centro um nicho, sem qualquer imagem, janelas de guilhotina, mas com ganchos para as dependurar e ainda uma cornija de madeira, completam um conjunto digno de apreço. Já na rua dirigimo-nos para o seu lado Nascente, onde, num muro do antigo LARGO DO LOUREIRO nos salta à vista um pequeno oratório, muito defumado pela quantidade de velas que os devotos ali acendem - são as típicas alminhas que muito espalhadas estão pela cidade e que nesta parte da antiga estrada para o Santuário do Bom Jesus, encontramos algumas - nas traseiras da Capela da Senhora-a-Branca, as referidas no antigo largo do Loureiro, no entroncamento da rua de D. Pedro V, num muro das Goladas, no cruzamento dos Peões e ainda junto à Ponte de Santa Cruz. Neste antigo largo encontra-se desde 1868, uma fonte, hoje seca, que era abastecida por água que vinha do Passal de São Vítor e também da Caixa de Água, que então estava instalada em frente da igreja de São Vicente e era fornecida por uma conduta que, pelo Montinho de Arcos, vinha das Sete Fontes. neste largo, começo da rua de D. Pedro V, que se acha instalada a 1 a Repartição de Finanças de Braga. Fronteiro a este edifício encontra-se a Escola Francisco Sanches, que adoptou o nome do famoso Médico e filósofo Francisco Sanches, bracarense baptizado na velha Igreja paroquial de São João do Souto, freguesia onde nasceu, segundo Sérgio Pinto, Severiano Tavares, S.J. e o Dr. José Machado, em 25 de Julho de 1551. Foi estudante em Montpelier e Bordéus e em Itália. Foi professor nas Universidades de Montpelier e Tolosa, etc. Foi um dos iniciadores da Filosofia Moderna, percursor de Bacon e Descartes. Francisco Sanches foi o autor do «Carmen de Cometa», do «Quood Nihil Scitur», dos «Opera Médica», dos «Tractatus Philosophici», etc. Foi doutorado em Medicina com apenas 24 anos, pela Universidade de Montpelier. Foi médico do Czar da Rússia e sendo também Matemático e Filósofo, foi, na Europa Renascentista, um dos espíritos mais brilhantes de então. A rua de D. Pedro V, termina no cruzamento com a Avenida do Padre Júlio Fragata, dando assim início à rua Nova de Santa Cruz (em direcção aos Peões). Seguindo por esta rua vamos encontrar a pequena ermida de SÃO VITOR-O-VELHO construída em 1876, teve origem num oratório que o Arcebispo D. Frei Agostinho de Jesus (Castro) mandou erigir no local, o qual representava em pintura o martírio de São Vítor, degolado naquele local, ou por perto (origem do nome GOLADAS?) sobre uma pedra que dizem apareceu manchada de sangue quando, ao tempo desse arcebispo, no final do século XVI e princípios do XVII, se construiu a ponte das Goladas. Foi a pedra vedada por uma grade de madeira. Com o tempo a grade inutilizou-se e foi então construído o templozinho e no seu interior guardada a pedra que está hoje debaixo de um altar lateral cujo frontal em granito representa o martírio do Santo Patrono. Abandonando esta capela seguimos pela rua Nova de Santa Cruz, e já a meio, vemos o que resta do esplendor industrial da Braga do século passado: A Saboaria e Perfumaria Confiança - a única fábrica que nos resta do século passado pois, fundada em 1894, ainda hoje se mantém em laboração.
publicado por Varziano às 19:29
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