Sexta-feira, 1 de Abril de 2011

A fonte do Mundo

A fon A FONTE DO MUNDO BAPTIZADA POPULARMENTE COMO “FONTE DO MUNDO”, ESTEVE NA NA ANTIGA QUINTA DO GRADE Para variar, vamos hoje, aproveitando “ A fonte do mundo”, falar um pouco de Mitologia e Lendas Antigas. A Mitologia “é a explicação da Fábula, isto é, da antiga religião dos Gregos e dos Romanos, ou a história suposta das Divindades do Paganismo. Este nome compõe-se de duas palavras gregas ; Mytos e logos , que significam discurso fabuloso; com efeito não é senão um tecido de fábulas ou ficções que os povos da antiguidade acreditavam como verdades religiosas; e hoje já não servem senão para proporcionar à Poesia, Pintura e Escultura as suas mais belas alegorias, e mais risonhas ficções ; …” ( 1 ) Entrando nos nossos tempos, sabemos que até há poucos anos, na antiga Quinta do Grade, cujo acesso pela rua Conselheiro Januário se fazia por um grande portão, que ficava, mais ou menos, em frente ás escadas para o adro da Igreja de São Vicente, existia uma construção, e já sem a cobertura que deveria ter tido em tempos. Com a orientação Nascente-Poente, tinha do lado nascente um nicho, no qual se via uma escultura monumental, sobre uma taça, onde era lançada água que da boca dessa escultura saía. A água sobrante escorria por uma canalização de pedra a meio da casa, mas à vista, que pela porta poente era lançada para um tanque, espécie de espelho de água, onde sobre-nadavam nenúfares, que por sua vez, por uma boca de saída fazia com que água, não transbordasse, mas sim fosse encaminhada para rega da propriedade. No interior dessa construção em ruína, podia ver-se uma escada de pedra, partindo da parte cimeira esquerda, que era a entrada para o local, onde um banco, também de pedra, corrido junto as paredes laterais servia para descanso. No terreno que circundava este conjunto, várias e coloridas japoneiras enfeitavam o local que estava encravado num socalco. Serviam não só de enfeite mas também pela sua folhagem davam uma certa frescura ao casarão aliadas ao o elemento água. Talvez por isto há quem diga que se tratava da CASA DE REFRESCO de Dom José de Bragança. Sabe-se que este príncipe arcebispo, para proporcionar aos seus familiares, pessoas gradas que o visitavam ou em festas, costumava os presentear com um REFRESCO, uma espécie do que hoje chamamos de merenda, mandava vir todos os anos dos Carris, no Gerez, em carros de bois, devidamente protegidos por palha, enormes blocos de gelo e eram guardados, para nos dias calmosos ter uma “geladeira” à mão. Se é verdade ou não, haverá por certo em Braga quem deslinde o segredo. Como principiou o interesse de salvaguardar a popular FONTE DO MUNDO ? Há anos, foi a direcção da ASPA, alertada pelo falecido sócio Dr. Artur Ferreira, que na quinta das traseiras da sua morada estava lá escondida por muitas silvas, arbustos, japoneiras e ervas um fontanário desconhecido de quase toda a gente. Logo no primeiro sábado a direcção da Aspa, juntamente com o citado sócio e ainda pelo saudoso amigo Tenente Coronel Francisco Ogando se deslocou ao lugar para ver o achado e logo ali o amigo Ogando se prontificou a conseguir junto do quartel militar um grupo de soldados para limpar o que se fez, ponto a descoberto mais um monumento barroco da cidade. Limpo o terreno, depararam-se vários elementos dispersos pertencentes a todo o conjunto. Logo se tratou de o divulgar e tratou-se de se fazer um estudo da peça. Chegou-se depressa conclusão que tratava da representação do Atlas, e que segundo o investigador, historiador, crítico de arte e professor da Faculdade de Letras, do Porto, o poveiro Dr. Flávio Gonçalves, deveria ter sido esculturado pelo artista bracarense Marceliano de Araújo. Quando da recente urbanização de Infias, foi o conjunto recolhido, e ainda bem, nos claustros do Convento do Pópulo e depois, colocado na referida urbanização não no seu primitivo lugar mas dentro do seu perímetro, ficando por muito perto, e para lembrança, uma rua com o popular nome. Pena é que os “pinxageiros” não respeitem os monumentos e não só, qualquer parede pintada de novo, é logo sujeitas às borradelas desses inconscientes que até, por vezes, usam obscenidades para manifestarem a sua pouca ou nenhuma arte e educação. Não vale a pena limpar, poucas horas passadas, de novo lá aparecem as borradelas. Vamos agora voltar mitologia, e à razão de o povo ter baptizado o fontanário como a Fonte do Mundo. Como disse nela está representado o ATLAS, sustendo o Zodíaco sobre a cabeça e as mãos. Era pai das PLÊIADES, irmãs das HÍADES, as transportadoras da chuva. Atlas foi condenado por ZEUS, o pai dos deuses e dos homens e o mais poderoso dos imortais, como castigo pela sua participação na revolta dos TITÃS, os seis filhos e seis filhas de ÚRANO e GE, ficando, pelo Deus dos Deuses, encarregado de suster os céus com a cabeça e as mãos. E dai veio a crença popular de que a figura do fontanário sustinha às costas o mundo e vai daí a FONTE DO MUNDO. Braga, l6 de Agosto de 2005 LUIS COSTA ( 1 ) – Manual Encyclopedico para uso das Escolas d’Instrução Primária – Lisboa Imprensa Nacional - 1850 te do Mundo
publicado por Varziano às 15:51
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