Quinta-feira, 14 de Abril de 2011

Portugal Médico

PORTUGAL MÉDICO OU MONARCHIA MEDICO-LUSITANIA De posse de um velho e curioso calhamaço, editado em 1725, com os pomposos sub-títulos “Historia Prática, simbólica, ética e Política. Fundada e compreendida no dilatado âmbito dos dois mundos criados Macrocosmo e Microcosmo repartida e demarcada em três amplíssimos reinos animal, vegetal e mineral ( com tal palavriado quem dirá que este velho volume se destinava a aconselhar e a facilitar o receituário dos facultativos de então ?) encontrei entre máximas, conselhos, sonetos e algumas composições de Sá de Miranda, como a primeira, com o destino traçado : A QUEM LER Enquanto um joga, outro caça, Outro dorme, outro trasfega, Outro murmura na praça, E co o mal deste se rega, E co bem destroutro embaça: Um de si se preza tanto, Que só, cuida que enche as festas; Outro suspira e faz pranto, Co a Natureza entre tanto Falemos pollas florestas. E continuando com a sua lenga lenga para justificar, por certo, o excessivo numero de páginas, (763 afora o índice), há que “botar” um desabafo : “ O que no juízo dos racionais é medicina da enfermidade, na ignorância dos Circum-forâneos é enfermidade da Medicina. Assim como há Ministros da Natureza às direitas, não faltam também Medicastros em tudo avessos à mesma Natureza. Tudo isto vi, tudo isto notei : “Andei daquem pera além Terras vi, e vi lugares, Tudo seus avessos tem . O autor do calhamaço principia por dizer que tinha começado a assistir aos doentes como Médico, e por toda a parte tinha encontrado mais médicos que doentes, e quase tantas mortes como enfermidades. Tinha visto um inúmero de pessoas que se intitulavam de médicos e eram apenas boticários, barbeiros, sangradores, algebristas (endireitas), alveitares, benzedores e uma infinidade mais de profissionais da aldrabice, em que os inocentes confiavam na cura das suas maleitas. E para combater todas as crendices, e resultem acertos nas praxes de Médico, oferece então o autor a Monarquia Médico-Lusitana., “Se te agradarem mal, diz, as primeiras páginas, não leias mais nenhuma; porque estou certo, que ainda que a obra se compusesse à força de desvelos, não se lhe hão os erros de encobrir a falta de censura “. E de novo recorre a Sá de Miranda : “Muitos dos vàos apalpei Aos trabalhos me dispus Desde que cuidei, e cuidei Disse comigo, ora fùs, Se erros fiz, erros paguei. Mas este compendio de Medicina do principio do sec. XVIII, não trata só de problemas de saúde. Alonga as suas considerações e conselhos, intermediados com poesia aos mais diversos assuntos, como por exemplo à agricultura e até ao tempo, indo até a dar-nos e a explicar-nos a origem dos nomes das estações do ano e a dos meses a par dos conselhos de como se deve proceder quanto à alimentação nesses períodos, como podem ver pelo exemplo abaixo. ABRIL – Este mês foi o quarto na ordem de César; e o segundo na conta de Rómulo; chamou-se Abril na melhor opinião, com aspiração Aphril de Aphros vocábulo grego que significa espuma, da qual fabularam os poetas que nascera Vénus e porque Rómulo havia dedicado o mês primeiro do ano a Marte seu pai, que era Março, quis que o mês segundo se derivasse de May de Eneas, que era Vénus, porque haviam sido princípio e origem do Povo Romano; por isso nos sacrifícios chamavam a Marte Pay e a Vénus May. Este mês era figurado por Cupido com uma coroa de Rosas na Cabeça. Os Egpicios o chamaram, Pachou. Os Persas, Ebenmech. Os Atenienses, Targelion. Os Caldeus e Babilónios, Cyar. Os Hebreus, Udar. Os Macedónios, Crios. Os Capadoces, Myetl. Os Bitinios, Dionyfios. Os Alemães, April. Os Árabes, Sahaben. Nos conselhos para este mês, o “Portugal Médico” de 1725, indica : “Na comum veia é válida a sangria, Purga-te, come carne recém morta, Das raízes na ceia te desvia, Betónica e hortelã em sumo importa: Do salgado uza apenas na iguaria ; Porque a sarna com isto se conforta, Da Lua é dia último aziago. Descansa o corpo e foge a tanto estrago. (Mestre astrólogo) Muito mais pode ensinar o “PORTUGAL MÉDICO”, mas pela súmula, pode o possível leitor avaliar. Braga, 14 de Abril de 2011 LUIS COSTA.
publicado por Varziano às 15:55
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