Sexta-feira, 6 de Maio de 2011

A Sé de Braga

A SÉ DE BRAGA Um relato de 1701 O Padre Carvalho da Costa, editou em 1701, dedicado ao rei Dom Pedro II, o primeiro tomo de uma obra de grande interesse para a história nacional, no que diz respeito, principalmente, à descrição topográfica de Portugal desse tempo e à qual deu o nome de “COROGRAFIA PORTUGUESA”. Reuniu, nessa obra de grande fôlego, os pormenores que foi reconhecendo e desvendando aos homens do Portugal de então. Suas são as palavras que vou reproduzir e de que se serviu numa parte do prólogo : “A Corografia histórica deste reino é todo o emprego deste livro: nele verá Vª Mag. o número de cidades, que tanta magnificência tem engrandecido… as vilas que com suma benignidade tem ilustrado …os lugares que tem erigido em vilas… os templos… os vassalos que obedecem… ”. E assim, em mais de 1350 páginas ( formato A 4 ), dispersas por três tomos, vemos o que era o reino de Portugal no início do séc. XVIII, a sua população, os seus fogos, a riqueza dos seus templos. No que toca a Braga, é minucioso na sua descrição. Porque já recolhemos e divulgamos alguma coisa, da muita que ainda há para divulgar, vamo-nos voltar para a Sé e ver o que então nos revela dizendo para começo : “Entre os sumptuosos templos que tem a cidade de Braga, é um deles a Catedral, a qual é sagrada ( foi sagrada em 28 de Agosto de 1089) e de tanta grandeza, que dentro dela há sete Coros, em que se rezam as Horas Canónicas em voz alta, sem estorvarem uns aos outros, na qual estão os corpos de S. Pedro de Rates, S. Geraldo, S. Martinho de Dume, Santo Ovidio, Arcebispos de Braga e o de Santiago Interciso Mártir ilustríssimo ; e na Capela de São Tomás está o corpo de S. Lourenço de boa memória ( Arc. D. Lourenço Vicente ) que depois de 300 anos se achou, como na própria hora em que morreu . Na capela-mor desta Catedral, estão sepultados o Conde Dom Henrique e sua mulher Dona Tareja, pais do primeiro Rei de Portugal, um da parte do Evangelho e outro da Epístola (hoje estão em arco sólio na Capela dos Reis ou também chamada de Dom Lourenço Vicente) e no meio da igreja, entre duas colunas, das que a sustentam para a esquerda, jaz o Infante Dom Afonso, filho de el-Rei Dom João I e da Rainha Dona Filipa (hoje está sepultado num rico mausoléu, sob a torre sineira sul). Tem esta Sé um riquíssimo tesouro, aonde está um espinho da Coroa de Cristo Senhor Nosso, e leite de Nossa Senhora numa âmbula, um braço do Evangelista S. Lucas, algumas cruzes do Santo Lenho, e outras muitas de grade valor, com riquíssimas peças de ouro e prata, panos de tela, com que se arma a igreja nos dias de festa, e ricos pontificais de tela, brocados e bordados. (Tem imensas dignidades, desde o Deão até Conezias) . Nesta ilustre Cidade, Primaz de toda a Espanha, pregou a Lei Evangélica o Apóstolo Santiago, irmão do Evangelista São João e deixou por primeiro Arcebispo (Bispo) dela S. Pedro de Rates, que ressuscitou mais de quinhentos anos depois de morto, com admiração de todos os que tiveram notícia desta prodigiosa ressureição; e o batizou, pondo-lhe o nome de Pedro no batismo , em memória do Príncipe dos Apóstolos S. Pedro. Foi hebreu de nação, natural da Palestina, de uma das duas Tribus Sacerdotal ou Real , vencidas e levadas cativas à Cidade da Babilónia por Nabucodonosor, como se colhe dos fragmentos de Santo Atanásio. Seu pai se chamou Úrias e parece aquele a quem el-Rei Joaquim mandou tirar a vida, por lhe pregar o que ele não queria ouvir e o refere em sua Profecia Jeremias, seu contemporâneo cap. 26. Teve S. Pedro de Rates o mesmo dom de profecia de seu pai: e saiu desterrado com os mais cativos de Babilónia pelos anos da criação do mundo 4743 (lenda) conforme a conta dos Setenta, e 587 antes da vinda de Cristo. Do nome que então tinha, não sabemos, só nos consta que os do seu tempo e os que depois de se seguiram, lhe chamavam Samuel o mais moço, ou Malaquias o mais velho pela semelhança que tinha na santidade com os Profetas Samuel e Malaquias de quem há grande memória na sagrada Escritura. Era na formosura do rosto e composição dos membros, qual verdadeiramente pedia o nome de Malaquias, conforme os melhores intérpretes significa o mesmo que anjo do Senhor. Saiu com os seus naturais da Cidade da Babilónia à Província da Espanha, quando a ela foram mandados por Nabucodonosor, e foi sua morada de Entre Douro e Minho e foi cidadão desta cidade de Braga, como diz Caledónio e o refere Hugo, na qual não sabemos os anos que teve de vida em Espanha, nem se nela o tomou a morte. Como quer que fosse, Santiago o ressuscitou e batizou, ordenando-o logo como Sacerdote e o fez primeiro Arcebispo (Bispo) de Braga e Pregador daquela cidade, aonde depois de converter muitos gentios à Fé de Cristo e sarar da lepra a uma filha do Senhor daquela terra, batizou-a com sua mãe e persuadindo-a a guardar castidade, foi morto por mandado do dito Senhor e sacrificado diante do altar da Igreja de Rates, aonde esteve o seu santo corpo, desde o ano em que padeceu, até ao ano de 1552 em que foi trasladado pelo Arcebispo Dom Frei Baltasar Limpo para a Sé desta cidade aos 17 de Outubro, dando-lhe Capela Particular à mão direita da Capela-mor.” A Sé de hoje, depois de muitas obras, já não apresenta o aspecto que em 1701, o Padre Carvalho da Costa a viu. Logo na primeira vintena desse século, sofreu alterações significativas devidas ao Arcebispo Dom Rodrigo de Moura Telles (1702/1728). A sua fachada e as naves, ainda com resquícios do original românico e o mais tardio gótico, foram alteradas para o então em voga estilo barroco, onde as paredes laterais, até então nuas, foram cobertas por altares, onde pontificava o exuberante dourado. Depois da morte de D. Rodrigo, em período da Sé Vacante, foi enriquecida por dois notáveis órgãos e o coro alto, com cadeiral Renascença, foi substituido por um barroco. Quase todos os Antíteses bracarense deixaram a marca na Sé, da sua passagem pela cadeira arcebispal bracarense, de maneira que já pouco resta da sua primitiva construção – dois Arcos da Porta Principal e a Porta do Sol são os mais significativos. Como vêem, pela descrição, Carvalho da Costa, ao pretender falar da Sé, entrou numa fase mais abrangente, dando-nos elementos sobre o primeiro Bispo de Braga, São Pedro de Rates, o santo patrono de uma freguesia-vila da Póvoa de Varzim, onde existe o velho templo românico. Braga, 6 de Maio de 2011 LUÍS COSTA Email :luisdiascosta@sapo.pt
publicado por Varziano às 16:22
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