Sexta-feira, 10 de Setembro de 2010

Varazim, lº

REGUENGO DE VARAZIM DE JUSÃO BAJLYA DA POVOA NOVA DE VARAZIM Em 1701, o padre António Carvalho da Costa publicou a Corografia Histórica do Reino de Portugal, (reeditado depois de 1865, exemplar de que me estou a servir) dedicado a sua Magestade o Rei D. Pedro II, na qual, na apresentação diz “…é todo o emprego deste livro: nele verá V. Magestade o número de Cidades, que com tanta magnificência tem engrandecido com obras sumptuosas, tem assegurado com fortificações inexpugnáveis; as Vilas, que com suma benignidade tem ilustrado com privilégios; os Lugares, que tem erigido em Vilas…” despertou-me a curiosidade de saber que referências que faria ao REGUENGO DE VARAZIM DE JUSÃO. Assim procurei no índice desta reedição e encontrei a páginas XXXII, do Tomo Primeiro, a indicação da Póvoa de Varzim, mas em referência ao século XIX, já depois da organização administrativa de Mousinho da Silveira, e que diz que o orago era (como é) N. S. da Conceição, tinha 2828 fogos (já era uma povoação muito importante) e pertencia (como pertence) à diocese de Braga. Continuando, procurei na edição do século XIX, a indicação da página, 361, e no cap. XV, deparei com o título “Da Vila da Póvoa de Varzim” (relacionado com a primeira edição) o comentário que a seguir vou copiar na íntegra apenas actualizando a ortografia: “É povoação antiga com um porto de enseada, em que antigamente entravam e saíam navios, da qual foi senhor Dom Guterre tronco dos Cunhas, que sendo francês natural da Gascunha, Província de França vizinha de Espanha ao pé dos Pirinéus, veio a este reino com o Conde Dom Henrique, que lhe fez mercê desta terra e de outras em Braga e Guimarães. El-rei Dom Diniz lhe deu foral e a doou a seu filho Afonso Sanches e entrou no Mosteiro de Vila do Conde por doação destes Infantes seus fundadores, até que ultimamente tornou à Coroa, em que está com o tributo anual às Freiras de quatro mil reis e o solho que ali morre, em memória do senhorio que tiveram. Governa-se por Juiz Ordinário, Vereadores e Procurador do Concelho, feitos por eleição trienal do povo e pelouro a que preside o Corregedor do Porto. Vem escrever-lhe por distribuição um dos Escrivains de Vila do Conde, de que dista um quarto de légua. Tem uma freguesia de invocação de Santa Maria, Vigairaria do Cabido e Mitra de Braga com dez mil reis, ao todo sessenta mil reis, e para a massa do Cabido quinhentos e cinquenta mil reis com a de Urgevai, e dizima do peixe: tem cem vizinhos, de que trinta são Couto do dito Cabido.” Continuando a consultar a referida Corografia, nota-se que não faz qualquer referência às freguesias que hoje fazem parte do concelho poveiro. Pertenciam o termo de Barcelos, entre os rios Cávado e Este, sete. Vamos analisar essas: “Santa Maria da Estela, que algum tempo se chamou Villa Menendi, é Vigairaria do Convento de Tibães, que rende ao todo sessenta mil reis, e para os Frades duzentos e trinta mil reis. Tem sessenta e três vizinhos. Foi esta terra do Conde Dom Mem Pais Businho, do tronco dos Azevedos e Senhor de Vila do Conde, o qual com seu filho Hermenegildo Mendes venderam esta herdade a Dom Mendo terceiro Abade de Tibães por vinte e cinco morabitinos, que lhes deu, moeda daquele tempo, que importava um cruzado. El-rei Dom Afonso Henriques no ano de 1140 a contou a Dom Ordonho quarto Abade de Tibães, e a seus religiosos por seiscentos alqueires de pão que o Abade lhe deu.(pag.275). S. Miguel de Laúndos, Abadia da Mitra, rende duzentos e vinte mil reis, tem sessenta e dois vizinhos. Aqui está um alto monte que chamam de S. Félix, nome do primeiro ermitão que teve a Igreja de Deus depois de Cristo vir ao Mundo, sem embargo que outros o digam que foi S. Paulo. Residia neste ermo, quando os tiranos martirizaram a São Pedro de Rates nosso primeiro Arcebispo (Bispo) de Braga, cujo sagrado corpo foi achado por este Santo Eremita, de quem é a capela que ali está. São Salvador de Nabais, Vigairaria das Freiras de Vila do Conde com dez mil reis, ao todo cem ml reis, e para o Mosteiro trezentos mil reis. Tem noventa vizinhos. S, Miguel, que alguns dizem Santa Maria do Torroso, é Comenda de Cristo e Reitoria da Mitra com quarenta mil reis, ao todo cem mil reis e para o Comendador duzentos mil reis, tem cento e trinta e quatro vizinhos. Aqui houve antigamente uma Cidade chamada Torroso, a qual parece que existia, e ao menos conservava o nome, reinando o Conde Dom Henrique no ano de 1106 em que a vinte Julho Guterre Soares fez uma doação à Sé de Braga, vivendo o Primaz S. Geraldo, de uma quinta no lugar, vizinho desta cidade. Santiago de Amorim, Reitoria com quarenta mil reis, ao todo duzentos mil reis e para as Freiras de Santa Clara do Porto quinhentos e cinquenta mil reis: tem trezentos vizinhos. Santa Eulália de Viriz (Beiriz), Abadia da Mitra, rende quinhentos mil reis, tem duzentos vizinhos.”(pag. 276) S. Miguel de Urgivai (Argivai), Vigairaria da Sé, com dez mil reis, ao todo trinta mil reis, os frutos vão com os da Póvoa de Varzim : tem quarenta vizinhos.(pag.277) No ano de 1701, quando foi dada à estampa a Corografia Portuguesa, ainda não existiam como freguesias Aver o Mar, que pertencia a Amorim, e Aguçadoura lugar que talvez estivesse no aro da Estela ou Nabais. Quanto a Rates e Balazar, ficarão para uma segunda leitura, caso o amigo director do Comércio, achar por bem continuar com esta história poveira. (continua) Braga, 6 Setembro de 2010 LUÍS COSTA Obs. Não sei se interessa esta história da Póvoa. Se acharem de interesse, por favor, informem por mail, para eu continuar por mais um escrito.
publicado por Varziano às 17:26
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Varazim

VARAZIM Reguengo de Varazim de Jusão 2º. Corografia - lº Tomo - Cap.IV – pag.296 DA VILA DE RATES “Uma légua para o Sul de Barcelos e sete de Ponte de Lima tem seu assento a vila de Rates, povoação antiga, muy principal, ainda que agora pequena. Foi destruída várias vezes pelos Galegos tendo guerras comnosco. Querem alguns que ali chegassem por mar as embarcações naqueles tempos das frotas Offirinas, ao menos as pequenas, que navegavam por um esteiro, de que se vêem vestígios vinda da Pulha, e que este nome tomou dos navios, que quer dizer em latim Rates. O que fez nomeada no mundo foi o martírio de São Pedro de Rates, primeiro arcebispo de Braga (bispo) e o primeiro que tiveram as Espanhas, e por isso são os desta Sé Primazes de todas. É certo que aqui houve logo muitos cristãos com templo na primitiva Igreja; e assim como nós chamamos aos Hereges Albigenses do nome da terra em que o seu erro teve princípio, chamaram os Gentios Ratinhos aos Católicos desta Província pela morte que, em Rates, se deu a São Pedro Patriarca ou Apóstolo desta Cristandade. Outros querem se derivasse dos fecundos partos das mulheres desta Província, de que tem em tão breves anos povoado quase todas as Províncias do Reino, e muitos lugares em África, Angola, Sofala e outros na Ásia, Índia e América. Governa-se por um Juiz Ordinário, que também o é do Órfãos, dois Vereadores e Procurador do Concelho, feitos por pelouro, eleição trienal do povo, a que preside o Ouvidor de Barcelos, de quem se sujeita. Vem escrever-lhe um Escrivão de Barcelos por distribuição, serve em tudo como na Almotaçaria. Não é terra rica, dá muito pão, porque até os montes o dão bom, pouco vinho, muitos gados e bestas de criação, mel, caça miúda, veações (caça) de raposas e outros bichos pequenos. Tem uma paróquia da invocação de S. Pedro, que já era Igreja Paroquial, quando este Santo vivia, porque nela o mataram os tiranos, e sobre ele a arrasaram. Tornaram logo a levantá-la os devotos, e depositando nela o sagrado corpo, foi muito venerado dos Católicos. Passou a Mosteiro de Monges Bentos, e crê-se ser o primeiro que em Espanha tiveram, de que era Abade o Santo Estêvão, que no ano de 590, reinando Recaredo, se achou no grande Concílio nacional, que dizem ser o terceiro, e no ano de 676, era Abade dele um Monge chamado Pedro. Devia arruinar-se com a invasão dos Mouros; pois o Conde Dom Henrique e a Rainha Dona Teresa levantaram dos fundamentos por estar destruída havia muitos tempos; e dele fizeram doação em Coimbra no mês de Março no ano de 1100, ao Prior do Mosteiro de Santa Maria de Caride de Monges Cluniacenses na Província da Aquitânia, não longe da cidade de Altisiodoro, hoje Auxerre; outros afirmam que vieram de lá Religiosos para ele. Mas a mim me parece que comeriam a renda e lhe apresentavam Cura: porque no ano de 1113, Gonçalo Anes, que devia ser Visitador Geral pelo Metropolitano, deixou uma verba na visita, em que mandava a Jorge da Póvoa, Cura do Mosteiro, que se enterrasse uma caixinha de relíquias, porque abrindo-a, desconfiou de que o eram. A Crónica dos Cónegos Regrantes quer que no ano de 1152, a Rainha Dona Mafalda, mandasse levantar a terra, e meter em túmulo na parede o corpo de São Pedro e lhe pôs Cónegos Regrantes com Prior, que trouxe de Santa Cruz de Coimbra, e lhe fez aquele couto. Tudo poderia ser e com o tempo se extinguiria, se bem que não querem muitos que tais Cónegos o ocupassem nunca. O que é certo e consta do Arquivo da Sé de Braga, é, que em 13 de Agosto de 1315, tinha Religiosos com Prior, os quais negavam a obediência, e não queriam ser visitados pelo Primaz Dom João Martins de Soalhães, fundados em alguns privilégios Apostólicos: mas fazendo o Arcebispo queixa a El-rei Dom Diniz, e achando que os Arcebispos tinham essa posse, o mandou conservar nela, e que suas Justiças o favorecessem contra os Frades. Em um nicho oculto está a Rainha Dona Teresa com um ceptro na mão e não é a Rainha Dona Mafalda, como alguns cuidaram. Depois se fez Priorado secular, entendemos do Padroado Real, que teve João de Sousa, filho de Pedro de Sousa de Ceabra e de sua mulher Maria Pinheiro, que de Clemência Rodrigues houve a Tomé de Sousa, primeiro Governador do Brasil, (que ali se governava por Capitanias) e vedor de El-rei Dom Sebastião, e primeiro Comendador desta Igreja, que entrou a ser Comenda da Ordem de Cristo em tempo del Rei dom Manuel por Bula do Papa Leão décimo, solicitada pelo Cardeal Dom Jorge da Costa. Foi mais filha deste Prior Dona Helena de Távora, mulher do Licenciado Henrique Pereira, e ambos pais do Doutor Pedro de Sousa, Comentário de Paderne de que há nobre descendência na ribeira do Minho e outras partes. Conserva-se em Comenda com Reitor do Ordinário sem ordenado: leva por ele Sanjoaneira, ao todo render-lhe-há cento e quarenta mil reis e para o Comendador trezentos e cinquenta mil reis. Em memória do Priorado, que foi, conserva um Benefício simples, que rende cinquenta mil reis, servindo-o, data do Arcebispo. Tem à roda do adro muitas sepulturas antigas, deviam ser pessoas grandes, que nelas se sepultavam: porque não vinha de perto pedra para elas. Na mesma Igreja estão os Santos Ermitões Félix e seu sobrinho, e esteve São Pedro de Rates, até que o mandou para Braga, o Arcebispo Dom Fr. Baltazar Limpo: só ficaram relíquias suas, que são um dente, parte de ossos e de um dedo em uma custódia de prata com vidraça e outro relicário com mais: são procuradas por muitos devotos, em que obrão infinitos milagres, quotidianamente em mulheres de parto. Tem cento e cinquenta vizinhos, que são os que há na Vila.” Para completar a lista das freguesias que hoje são do aro do concelho da Póvoa de Varzim faltava BALAZAR, com que vou terminar esta resenha que tenho vindo a mencionar e em relação ao ano de 1701. Pertencia então esta freguesia, ao JULGADO DE VERMOIN. O seu orago era Santa Eulália e como tal figura na Corografia como Santa Eulália de Balazar e diz “é Comenda da Ordem de Cristo e Reitoria do Ordinário, que rende ao todo cem mil reis e para o Comendador duzentos e cinquenta mil reis e tem cento e seis vizinhos. Na Aldeia do Casal está a fonte em que São Pedro de Rates estava de joelhos bebendo, quando os tiranos vinham atrás dele de Braga para o matarem e foi Deus servido de que o não vissem, estando patente à vista: dizem que duas covinhas que tem, são dos seus santos joelhos: e vem a esta fonte muitos enfermos de maleitas e sezões, e bebendo dela, voltam livres do achaque. Aqui, na Quinta do Casal é solar deste apelido, que tem por armas em campo de ouro cinco flores de Liz vermelhas sobre a cabeça das pontas dela. Tem dado bons fidalgos e pessoas de grande talento.” E assim, com estes dois maçadores escritos, dei a conhecer alguma coisa da antiga VARAZIM DE JUSÃO, e do que é hoje o concelho da nossa Póvoa, podendo avaliar o grande salto que deu, pelo menos desde 1701, até aos nossos dias. Braga, 9 de Setembro de 2010 LUÍS COSTA
publicado por Varziano às 17:21
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