Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2012

Março

M A R Ç O Chamou-se Março o terceiro mês, porque Rómulo o dedicou a Marte seu pai e porque nesse tempo diziam que Juno parira a Marte em Frigia. Neste mês costumavam acender em Roma o novo Lume no templo de Vesta e durava todo o ano aceso; como também renovavam o Capitólio as coroas de Louro, qu estavam secas do ano passado, para se darem aos que Pátria alcançavam algum triunfo. Os Egípcios chamaram a Março, Plamenoth. Os Atenienses, Antesterion. Os Macedónios, Iectis. Os Capadoces, Xadtir. Os Gregos e Aquivos, Disbros. Os Bitinios, Metros. O Ciprios, Alnicos. Os Alemães, Mertz. Os Hebreus, Nisan. Os Persas, Macherameth. Os Árabes, Rage. Os Ingleses, Rodomanath. As observações para este mês devem as seguintes : QUEM NESTE MÊS SAÚDE DESEJA, BEBA DO DOCE VINHO, E SEUS MANJARES; SEJA DOCE ; E O COSIDO SEJA PORRO (alho) SEJA ; DE ERVAS CHEIROSAS BANHE O CORPO EM MARES : NÃO UZE DE SANGRIAS, SEM QUE ESTEJA EM PERIGO ; OS XAROPES SÃO AZARES : TOME, SE QUER SARAR, SUMO DE ARRUDA, QUE FAZ BEM À CABEÇA E A VISTA AJUDA. Portugal Médico ou Monarquia Medico-Lusitana – Coimbra - 1726
publicado por Varziano às 14:50
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Terça-feira, 7 de Fevereiro de 2012

Fevereiro

F E V E R E I R O Ao segundo mês do ano, chamou Numa Pompilio, Fevereiro, em honra de Februo, que também se chama Plutão, deidade falsa das fúrias e do inferno que entre os Romanos era o ídolo das purificações, luminárias, purgações e a ele concorriam com sacrifícios nesse tempo para se purificarem e expiarem as culpas que tiverem cometido ; por isso a este mês chamaram Fevereiro que vale tanto como purgativo e sacrificativo, porque Februare é o mesmo que Purgare, Purum facere. Mas a religião Católica e Cristã em contraposição deste absurdos instituiu neste mês o solene e Santíssimo dia da Purificação de Maria Virgem, em cuja honra concorrem os fiéis aos Templos a purificar-se por necessidade, assim como a Senhora o fez por exemplo. Este mês em tempo de Numa, trazia 29 dias e o ano da Intercalação feita por César trazia 30. Depois Augusto César tirou-lhe um dia, e o ajuntou a Agosto e assim ficou este mês no ano comum com 28 dias e no bissexto com 29. Os Egípcios chamam Mechir. Os Hebreus, Adar. Os Bitinios, Ethmos. Os Cipros, Apagonicos. Os Gregos, Targihon. Os Alemães, Hormandr. Os Inglezes, Solmonath. Os Árabes, Lumedi fecund. As observações Económicas, Prognósticas e Médicas deste mês, indicam : UZA DA CONFEÇÃO DO MEL ROSADO, PORQUE RESOLVE O FRIO E DA CABEÇA AS DORES TIRA ; PÕEM DE PARTE O ASSADO, E GUIZADO COZIDO NÃO TE ESQUEÇA ; UZA A SANGRIA PARA SER PURGADO, SE QUERES QUE A SAÚDE SE ESTABLEÇA ; POIS SE LIVRA QUEM ESTAS REGRAS AMA DA SARNA, E DE OUTRO MAL, QUE A FRANÇA INFAMA Portugal Médico ou Monarquia Medico-Lusitana – Coimbra 1726.
publicado por Varziano às 15:16
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Sábado, 4 de Fevereiro de 2012

Homenagem

HOMENAGEM A MANUEL AGONIA FRASCO No passado dia 3 de Dezembro, foi homenageada no Museu da Póvoa a memória do meu grande Amigo (AMIGO com letra grande, como ele o merece), Manuel Agonia Frasco que, durante talvez mais de cinquenta anos se manteve como director do centenário jornal poveiro “O Comércio da Póvoa de Varzim” , agora, infelizmente, arredado das bancas. Com pena e desgosto vejo assim desaparecer uma publicação que ao longo de CENTO E OITO ANOS se bateu pelo ideal manifestado do seu republicanismo, na defesa dos interesses da Póvoa e das suas gentes, sem distinção, fossem eles humildes pescadores e operários, ou pessoas de mais avantajadas posses. Convidado por seus familiares eu, por uma dívida de gratidão, com Agonia Frasco logo pensei que na podia faltar, com a minha presença, nessa justificadíssima memória. Por acção e compreensão foi ele que me iniciou nas lides de pobres artiguelhos que há mas de quarenta anos espalho. E assim, nesse frígido dia de Dezembro, marquei a minha presença no salão do museu, onde vários amigos de Manuel Agonia ou dos seus familiares, e entre outros, póveiros e não só, certamente quiseram aliar-se a prestar a sua homenagem a UM HOMEM BOM, da Póvoa do Mar. Como de costume, sempre fujo a destaques, sentei-me juntamente com o meu irmão Neca Morim numa cadeira bem atrás. Com espanto vejo o meu amigo Dr. Manuel Costa, que ao vir-me cumprimentar manifestou o seu espanto por estar a ocupar um lugar quase escondido, pois tinha um lugar reservado na frente, dado que eu teria que, durante cinco minutos, falar sobre as minhas relações com Agonia Frasco. Dado a minha estranheza informou-me que a Senhora Dona Emília Nóvoa Faria Frasco lhe tinha dito QUE EU IRIA TER UMA INTERVENÇÃO. Apanhado de surpresa lá me dirigi para o lugar e a cogitar como me deveria desenrascar. Enquanto os dois oradores, que me antecederam iam proferindo a sua admirável lição eu, magicando, lá consegui nos resquícios da minha memória ordenar algum facto que tivesse escondido no meu já bastante desgastado cérebro. No entanto, quando me vi perante a situação (Dona Emília, pensava que falaria do meu lugar sentado e em frente do microfone), resolvi num impulso que não sei onde o fui buscar, o fizesse de pé, olhos nos olhos da digníssima assistência e não escondido por detrás de uma quase cabine como num estúdio de rádio, ao memo tempo que improvisei, numa espécie de conversa, o relato de um assunto que, em tempos já distantes, tinha tido com o Amigo Agonia. Ao ler “ O Comércio “ que todas as semanas digeria com inusitado interesse lembrei-me que na crónica seguinte poderia acusar uma coisa que andava esquecida pelas gentes mandatárias da Póvoa. Um jornal com o prestígio e história, como “ O Comércio “ não estava distinguido na Toponímia Poveira, assunto que então em artigo debati. Dias depois, Agonia Frasco, jubilosamente telefona-me diz . SABES QUE A CAMARA ACOLHEU A TUA SUGESTÃO. Temos de combinar um dia para se ir ver o lugar que é na Mariadeira, e assim aconteceu, E “O Comercio da Póvoa de Varzim” para sempre ficará recordado na toponímia poveira, graças ao assentimento e compreensão camarário. Passado um tempo notei que o nosso jornal, iria comemorar as SUAS BODAS DE DIAMANTE (é costume esta festa fazer-se comemorando a data de um casamento, e o “Comércio” também a tinha que lembrar já que em 3 de Dezembro, se pode dizer que festejava O CASAMENTO DE UMA IRREQUIETA JUVENTUDE DO PRINCÍPIO DO SEC.XX, com um novel jornal que passados 108 anos ainda era possuído do espírito que animou os seus fundadores). Foi o mote para o escrito dessa semana. Nesse mesmo dia, Agonia, telefona-me para me agradecer e informar que durante o dia não tinha feito outra coisa SENÃO, PELO TELEFONE TER RECEBIDO FELICITAÇÕES. Mas não se ficou por aqui, algum tempo depois, retine o telefone :- ARRANJASTE COM EU AGORA SEJA COMENDADOR. O estado distinguiu “O Comércio”, tens que cá vir para veres o recebimento da Comenda. Manuel Agonia Frasco, era de facto, na verdadeira acessão da palavra, UM HOMEM BOM. Prestável, amigo, sacrificado pelo bem dos outros, adorador da sua terra e das suas gentes, conselheiro, dedicado ás instituições poveiras como atestaram as bandeiras que figuravam na tribuna, enfim uma pessoa em quem se pode confiar e que a sua fugaz, mas rica passagem por esta vida ficará eternamente assinalada. É um bom homem aquele que passa pela terra praticando o bem aquele, que desculpem a expressão “não faz mal a uma mosca” mas que ao fechar os olhos em rumo a eternidade é logo esquecido não como O POVEIRO MANUEL AGONIA FRASCO, que enquanto o mundo for mundo JAMAIS SERÁ ESQUECIDO e por isso a ovação que recebi após a minha intervenção neste homenagem a dirigi a MANUEL AGONIA FRASCO. Braga, 2 de Fevereiro de 2012 LUÍS COSTA Obs. Dona Emília se não concordar com alguma coisa, corte à vontade e bem assim também se achar longo. Cumprimentos para a Senhora, ao amigo Manuel e restante família . L.C.
publicado por Varziano às 17:46
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Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2012

João Penha - definitivo

P a r n a s i a n i s m o J O Ã O P E N H A O “realismo em poesia acompanhado do estecticismo ou preocupação formal, á volta de temas exóticos ou comuns, sociais ou descritivos plástico-sensuais”, segundo a lição do prof,. Doutor Amadeu Torres (Castro Gil), em “Antologia Literária”, 2º vol., recebeu o nome de PARNASIANISMO. Afirma também o ilustre professor que o seu órgão era o jornal literário “A Folha, microcosmo literário” – 1868 – criado e dirigido por João Penha, ainda como estudante em Coimbra, com colaboração de Gonçalves Crespo, Guilherme Braga, Simões Dias, Guerra Junqueiro, Cândido de Figueiredo, Castilho, Antero de Quental, Teófilo Braga, Camilo, Gomes de Amorim. (1) Revista literária, “A Folha” órgão, como disse acima, do movimento Parnasiano, rapidamente entusiasmou a geração Coimbrã. “Ao subjetivismo romântico”, quis opor “a objetividade parnasiana, transformando os versos em música e pintura, dando especial encanto e função à palavra.” (2) Pela variedade da sua colaboração “ressalta o ecletismo” de A Folha que aceitava nas suas colunas, diz Doutor Amadeu Torres, os “metrificadores do ai ou de Lisboa” como “do mesmo modo que os “sacerdotes da ideia vaga ou de Coimbra”, como então chamava João Penha “aos românticos e realistas”.(1) O Parnasianismo, segundo o autor acima referido em “Antologia Literária”, defendia a “arte pela arte, a superioridade do bom cinzelador de versos”. João Penha, afirmava que o poeta poderá dever mais ao trabalho próprio, do que à natureza. Dizia “O poeta não nasce, faz-se”. João Penha ( João Penha de Oliveira Fortuna), poeta bracarense, nasceu em Braga, em 29 de Abril 1839, no prédio nº 7 da Praça Municipal, e faleceu também na sua cidade a 4 de Fevereiro de 1919. Conclui, com 34 anos de idade, em Coimbra o curso de Direito, dedicando-se após à formatura à Advocacia ao mesmo tempo que à produção poética. Deve-se a Penha a repescagem do Soneto para a Literatura Portuguesa, do qual foi um notável cultor “onde predominava ora a amargura e o desencanto, ora a mordacidade e a ironia triste”. (2) O vinho, as mulheres, o presunto foi a trilogia sua inspiradora, manifestada ao longo da sua poesia. A sua negação pela água está bem representada na quadra : “No coração alegria, Em conversa bom humor ; Pelo vinho simpatia, Por água um profundo horror.” João Penha dirigiu, no Porto, a “República das Letras”, de que apenas saíram três números, De entre a sua bibliografia podem destacar-se as publicações “Rimas”,”Novas Rimas”,“Últimas Rimas”,”E o Canto do Cisne”, e ainda um volume de críticas “Por montes e vales”.(2) Durante anos, João Penha foi vítima do esquecimento injusto dos bracarenses e só em 1939, é que passou a ser lembrado, quando lhe ergueram o busto, no Largo de São João do Souto, da autoria de António de Azevedo. Mas a má sina de João Penha estava traçada, teria que andar aos tombos pela cidade e sempre acompanhado por aquilo de que “tinha…um profundo horror” – água – e ela, depois da morte de Penha, com a benevolência dos seus conterrâneos, vingou-se. A seus pés, no largo de São João do Souto, colocaram um espelho de água ; quando passou para a Avenida Central, foi assente num canteiro do jardim onde há um poço e finalmente, no Largo do Rechicho, sobre a antiga nascente de água que ali existia e, ainda para mais desconsideração, o seu busto foi colocado de costas para a Avenida. Também a inauguração do monumento não foi apressada, parece que os responsáveis de 1919 tinham uma certa relutância em proceder ao acto. Vários dias esteve coberto por um trapo até que um grupo de irreverentes estudantes, numa noite resolveu fazer à sua maneira a inauguração rapando e colocando aos seus pés uma jocosa quadra. E para terminar estas mal alinhavadas notas, passarei a transcrever um seu soneto e uma poesia, assinalada como inédita, numa publicação de 1909 : R I M A S UM ROSTO ENCANTADOR, QUASE MORENO, DE UNS GRANDES OLHOS VERDES ANIMADO ; NEGRO O CABELO, EM TRANÇAS ENASTRADO ; CORRECTO O SUPERCILIO, IRIS SERENO ; VERMELHO LÁBIO, SORRIDENTE E AMENO ; BREVE A CINTURA ; O COLO, ASSETINADO ; UM DONAIRE DAS OUTRAS INVEJADO ; MAGRAS MÃOS ; O PÉ LEVE E PEQUENO ; EIS A DAMA POR QUEM CHORANDO ANELO ! RIVAL DAS GRAÇAS DO CINZEL JÓNIO, MAS FRIA COMO A NEVE : O MEU FLAJELO ! EIS A MINHA NATERCIA, O CRUEL DEMÓNIO POR QUEM VIVO PERDIDO, MAS TÃO BELO QUE NEM LHE RESISTIRIA SANTO ANTONIO ! P E R F I L (inédito) NÃO SERIA AMANTE O POETA, E SE O SOU EU É POR MEU MAL, SE A TI, CARA FLOR DILECTA, NÃO FIZESSE O MEU MADRIGAL. OS OLHOS AOS CÉUS LEVANTO : VEM-ME IDEAS, MAS CONFUSAS. QUE DIREI ? QUE TENS ENCANTO A GRAÇA ANTIGA DAS MUSAS, QUE MUITAS VEZES SINCERAS, OU COM VOZES DE SEREIAS, INSPIRARAM N’OUTRAS ERAS CANTOS DE AMOR, EPOPEIAS. OS TEUS OLHOS AZULADOS, COM TONS DE GLAUCO MAR, PRENDEM MINH’ALMA EM CUIDADOS, FAZEM MINH’ALMA SONHAR. FICO-ME COMO QUE OUVINDO VAGOS SONS D’HARPAS EÓLIAS, QUE A BRIZA ME TRAZ FUGINDO POR ENTRE AS BRANCAS MAGNÓLIAS, SE DE TEUS LÁBIOS DE ROSA SABE A VOZ QUE NOS ENLEIA, COMO UMA VOZ MELODIOSA DUM ROUXINOL QUE GORGEIA. NO TEU CABELO OPULENTO CASTANHO-ESCURO, DOIRADO, LÁ VIVE O MEU PENSAMENTO, O MEU CORAÇÃO, COITADO ! VIVO EM TI, NEM ME DOMINO, QUE EM TODA A FACE DA TERRA NÃ HÁ CORPO MAIS DIVINO PELAS BELEZAS QUE ENCERRA ! QUE DESENHO IDEAL E FRANCO ! NOSSO AMOR, NOSSO MARTÍRIO ! CORPO DE MÁRMORE BRANCO, E DENTRO . . . A ALMA D’UM LÍRIO ! CANTAR-TE MELHOR NÃO PUDE, E ERA NOITE DE LUAR ! OH ! VEM, MEU TRISTE ALAÚDE, VAMOS COM ELA SONHAR! João Penha (3) Braga, Janeiro de 2012 Luís Costa (1) – Amadeu Torres (Castro Gil) - Antologia Literária (2) – Diário do Minho Pag. Cultural -1/02/2012 (3) - Almaq. Ponte de Lima -1909 Obs. Caro Amigo Dr. Pinheiro, baseado no Diário do Minho, como me informou, fiz mais uns acrescentos. Ao meu amigo, peço faça as correcções que achar por bem.
publicado por Varziano às 19:20
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