Sexta-feira, 4 de Fevereiro de 2011

Braga. Rot. 2ª parte

2ª parte Voltando de novo à rua do Matadouro velho, entramos no Campo das Carvalheiras e uma das primeiras coisas que saltam à vista é o CRUZEIRO DE DOM FURTADO DE MENDONÇA um elegante monumento, datado do século XVII, que sobressai de um patamar constituído por uma série de degraus. E composto de uma coluna dividida em três partes constituídas por um quadrilátero que lhe serve de suporte, uma coluna com elementos ovalados ou em ponta de diamante, seguida por uma outra que suporta uma esfera recortada que tem a encimá-la a cruz arcebispal. Entre a sombra que nos proporcionam frondosas tílias podemos admirar um pequeno fontanário em ferro fundido que poderá refrescar com a sua cristalina água aqueles que se julguem com forças para fazer esta peregrinação por Braga fora de muros. Ao lado direito, para quem está voltado para a escola nova da Sé, pode ver-se uma casa solarenga que pertenceu ao Comendador Jerónimo da Cunha Pimentel que além de Presidente da Câmara no século passado foi também Governador Civil. Este edifício onde hoje se acha instalada uma cooperativa leiteira, tem duas pedras brasonadas que representam a marca de família de Tomé da Corda, - um rolo de corda - uma, e a utra, as armas de fé do Arcebispo Dom Jorge da Costa - roda de navalhas que serviu para o martírio de Santa Catarina. Pertenciam estes dois brasões à antiga Capela de São Bartolomeu, depois chamada de São Gonçalo, quando foi reconstruída pelo arcebispo Dom Rodrigo de Moura Telles e hoje é a capela onde se acha instalada a instituição das Convertidas, na Avenida Central. Fronteira a esta está o antigo hospício dos Cónegos Regrantes de Santa Cruz, de Coimbra, conhecidos pelos frades Crúzios e hoje é a chamada CASA Do IGO que ostenta sobre a porta principal, numa bordadura com dizeres latinos, a representação religiosa do Cordeiro Pascal «Agnus Dei». No gaveto de entrada para a rua Visconde de Pindela, um nicho barroco pertencente à Irmandade de Santa Cruz, serve para na Semana Santa, se expor um dos Passos da Paixão de Cristo. Descendo a rua Visconde de Pindela e já em frente ao largo do Senhor da Boa Luz, outra casa brasonada nos chama a atenção - a Casa dos Bravos - onde esteve instalado o antigo colégio São Tomaz de Aquino. E assim penetramos na rua da Cruz de Pedra, cuja origem do nome se deve, possivelmente, ao facto de na entrada da rua existir um cruzeiro de pedra que durante a noite era sempre alumiado por lamparina de azeite, e que nos levará à: RUA CARDOSO AVELINO nome que lhe foi atribuído aquando da sua abertura, porque na chegada a Braga do Caminho de Ferro, em Maio de 1875, Cardoso Avelino desempenhava então o cargo de Ministro. Para esta rua foi transferida a CAPELA DE SAO MIGUEL~O-ANJO em 1878, quando foi demolida nas Carvalheiras, e era então o local onde os arcebispos se paramentavam para fazer a sua entrada solene na Sé de Braga. Ficava, portanto, perto da porta da muralha de Maximinos ou de Nossa Senhora da Ajuda, que pela rua dos Burgueses dava acesso à Sé. Em memória desta demolida capela e transferência, ficou o topónimo da Avenida de São Miguel-o-Anjo. Deslocamo-nos agora para o LARGO DA ESTAÇAO Largo aberto em 1875 aquando da chegada do Caminho-de-ferro a Braga, ramal de Braga, que punha e pôs a cidade arcebispal em comunicação por linha-férrea não só com o Porto mas também com as fronteiras espanholas de Valença e Barca de Alba, dando assim possibilidades de escoamento aos produtos agrícolas e industriais produzidos na região minhota da qual Braga é capital. Este largo teve, a princípio, o nome de Largo das Laranjeiras. E digno de se fazer uma visita ao Museu do Caminho-de-ferro instalado numa das antigas cocheiras da estação, onde se pode ver o material do século XIX, incluindo a máquina que serviu para a construção não só da linha do Minho como também do Ramal de Braga. Do largo da Estação poder-se-á dar uma saltada ao fundo da rua Irmãos Roby, onde se situa, em Braga, a casa-mãe destes heróis bracarenses, cuja memória está perpetuada num dos canteiros da Avenida Central. Solar brasonado, mas cujo brasão foi picado. Está hoje na posse da Congregação Religiosa das Irmãs da Visitação. Retrocedendo, dirigir-nos-emos para a RUA ANDRADE CORVO cujo nome deriva de um antigo Ministro que visitou Braga, quando da inauguração do Ramal de Braga, como também esteve presente num congresso de arqueologia promovido no século passado e na qual foi apresentado publicamente o trabalho sobre a Citânia de Briteiros. Nesta rua, junto ao muro da cerca do Palácio dos Biscaínhos foi há anos montado um jardim infantil e nesse muro foi colocada a fonte do tempo de Dom José de Bragança, mandada edificar pelo Senado da Câmara, que fornecendo água do manancial das Sete Fontes estava colocada à entrada da hoje rua de Infantaria 8, junto à casa Jácome Borges Pacheco e que em 25 de Janeiro de 1745, por provisão de Sua Alteza, passou a usufruir água sobrante daquela fonte para seu uso, e que é hoje a ilustre Casa de Infias. E assim chegamos ao CAMPO DAS HORTAS Neste campo ou jardim em primeiro lugar deparasse-nos a CASA GRANDE do Campo das Hortas, uma construção do século XVIII, que já figura no mapa das ruas de Braga desse século. E uma magnífica e robusta construção, com várias portas e janelas de grande proporção, com varandas e pilares no frontão, e, entre palmas, tem o brasão da casa. Ao centro do jardim, bem cuidado e que não desmerece de outros jardins de Braga, está a monumental fonte de Dom Agostinho de Jesus, para ali levada pelos princípios da segunda dezena do actual século, e que durante vários anos esteve no campo do Salvador, depois de desmontada de em frente da Arcada, na Avenida Central, por volta de 1858. Segundo a lenda, um edifício de grande porte, recentemente restaurado, está assente nos alicerces da antiga Chancelaria Romana e, dizem ali ter nascido nove irmãs gémeas, todas santas e mártires. Olhando para Nascente vê-se deste Campo, um dos ex-libris da cidade, o: ARCO DA PORTA NOVA mandado abrir por Dom Diogo de Sousa, em 1512, para assim dar saída à cidade para o poente. No entanto devemos acrescentar que o arco actual não é o primitivo, pois este foi substituído pelo actual no tempo de D. Gaspar de Bragança, por despacho de D. José, Rei de Portugal, que autorizou a sua factura com as sobras das sísas. E, segundo alguns autores, possivelmente uma obra póstuma de André Soares, já da fase final do seu labor artístico, abruptamente interrompido pela sua morte. Podemos dizer que é uma transição do barroco para o estilo seguinte - neo-clássico - mostrando o primeiro no frontão recortado, como diz Robert Smith, à «maneira de Borromini» e dominado a meio pelo escudo ou armas de Fé do Arcebispo, muito embora a princípio, como se tratava de uma obra real, apresentasse o escudo do Rei Dom José 1. E encimada pela estátua alegórica de Braga. Apresenta o Arco da Porta Nova, nas duas faces - Nascente e Poente - duas maneiras de trabalho muito diferentes. Enquanto que na face voltada a poente - a face rica - o arco esteja encerrado em duas pilastras - duas de cada lado - com elementos lisos sobre as quais se levantam quatro obeliscos, diz Smith, «ornados de bandas furadas e discos, ornatos típicos da última fase da obra soaresca», um frontão interrompido, ainda barroco, sob o qual se destaca o brasão já mencionado e que lembra os do Paço Arquiepiscopal (Biblioteca Pública e Arquivo Distrital de Braga), elementos que como diz o malogrado investigador americano «Toda esta parte é de uma sobriedade neoclássica». Do lado nascente, ou seja do lado interior que fica voltado para a rua Dom Diogo de Sousa, os elementos que nos mostra são inteiramente barrocos. Num nicho aberto ao cimo sob o frontão de mitra, entre um varandim, destaca-se a imagem de Nossa Senhora de Nazaré, imagem que ostentou o primitivo arco mandado abrir por Dom Diogo. Tendo, em contraste com o lado poente, apenas duas pilastras, uma de cada lado do arco de entrada, são estas encimadas cada uma por uma urna. Sobrepujando este conjunto um frontão também interrompido, elemento barroco que encontramos em outras construções desta época. No pequeno largo à entrada da rua Dom Diogo de Sousa, forma-se uma praça conhecida, em tempos, por Praça da Hortaliça; e hoje, por Praça Velha, na qual se podem ver alguns edifícios de valia, um dos quais recentemente restaurado, e ainda um nicho pertencente à Irmandade de Santa Cruz e aberto na Semana Santa para expor um dos quadros da Paixão. Perante o oratório do Arco da Porta Nova, foi dita em 1617, uma primeira missa. Existia em tempos, antes da reconstrução do actual e no mandado fazer por Dom Diogo, um nicho que encerrava o Santo Homem Bom, com Irmandade que mais tarde veio a ser transferida para a igreja de São Vicente. Provavelmente, foi neste oratório que se disse a missa referida. O Arco da Porta Nova, foi classificado como Monumento Nacional pelo decreto de 16/06/1910. Quase enfrentando esta praça, um pequeno largo, conhecido pelo topónimo de Pracinha, apresenta hoje, figurando uma porta, a cabeceira de uma fonte, mandada fazer por Dom Diogo e reformada por Dom Agostinho de Jesus, como o confirmam os brasões de Fé que ostentam. A água que vinha para esta fonte tinha origem na nascente debaixo das escadas da Igreja da Misericórdia e foi no século passado emprazada a um particular. Encoberta por construções posteriores à abertura do Arco da Porta Nova, um baluarte de defesa da porta, destaca-se na paisagem, seguindo por ali e por detrás das casas da rua dos Biscainhos, um bem conservado pano da muralha Fernandina, um dos poucos vestígios que restam dessa defesa medieval. (E, visível na traseira do edifício ocupado pela U.S.B.-C.G.T.P., e no ocupado por uma ourivesaria, fronteira ao Museu dos Biscaínhos). Entramos por esta rua dos Biscaínhos (nome que derivou de por aquele lugar, fora de muros se terem fixado os artistas que da Biscaia, a chamado de D. Diogo de Sousa, vieram para Braga, executar obras que este Arcebispo mandou fazer na sua cidade) em direcção à Praça Conselheiro Torres e Almeida que nos levará à Praça Conde de Agrolongo (Campo da Vinha) mas antes teremos de reparar, quase no fim dela, com a nobilíssima e bem conhecida casa denominada: A CASA DOS BISCAINHOS uma construção levada a efeito no século XVII (25/11/ /1619 e 2/06/1686) para habitação do Dr. Constantino Ribeiro do Lago, sobrinho do Beato Miguel de Carvalho, jesuíta mártir no Japão, e que está retratado na pintura do tecto do Salão Nobre desta senhorial casa. Parece que a última reforma foi feita já no século XVIII. Hoje serve de instalação ao Museu dos Biscaínhos, por venda quase simbólica do seu último proprietário - o Visconde de Paço de Nespereira, à Assembleia Distrital de Braga para ali ser instalado um museu e que tem o nome de MUSEU DOS BISCAINHOS, inaugurado em 1973. Possui no seu acervo, este museu, uma valiosa colecção de objectos que então serviam nas casas senhorais. Parte dela proveniente de colecções particulares. Na sua fachada barroca, insere-se, sobre as portadas e varandas do Salão Nobre, o brasão de família. Foi, portanto, esta casa fundada pelo Dr. Constantino Ribeiro do Lago, Cavaleiro da Ordem de Cristo, Alcaide-Mor de Ervedo, Ouvidor e Desembargador de Braga. A parte antiga da Casa ou Palácio dos Biscaínhos, teve, ainda depois, uma nova fase na construção, concluída que foi em Junho de 1699, a mandado de Dom Diogo de Sousa e Silva, ligado à Casa Real, cavaleiro professo da Ordem de Cristo. Este fidalgo faleceu naquela sua casa em 22 de Maio de 1728. Quando da visita a Braga da rainha D. Maria II, que se hospedou nesta casa, ali se
publicado por Varziano às 18:41
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